sábado, 22 de novembro de 2014

O que faz o mal triunfar?

Qualquer pessoa que abra o jornal ou dê uma pesquisada sobre as tendências da arte, do pensamento e dos costumes nos dias de hoje, se tiver uma clara noção moral, verá, indubitavelmente, o triunfo do Mal.
Nas artes impera o horrendo, o esdrúxulo, o aberrante e o hediondo. 
Ser "artista" se tornou sinônimo de bizarrice, de comportamento aberrante, de imoralidade, de completa falta de noção em relação a tudo que se tenha por senso comum.
A "arte" que é produzida por eles é um reflexo disso. Qualquer escarro de tinta sobre uma tela é "arte". Qualquer ferro retorcido é "expressão escultórica de sentimentos". Qualquer grunhido com uma letra pornográfica, vazia ou piegas é "música" ou "tendência".
A arte deveria ser a expressão do BELO.
O belo é símbolo do bom e a verdadeira beleza simboliza o bem. Dessa forma, a verdadeira arte simboliza a moralidade, a nobreza de ações, de palavras, de pensamentos e de intenções.
Dizemos que um ato é "belo" justamente por isso. O ato, em si, não é uma representação que cause reação propriamente ligada às formas, às cores e à harmonia entre elas. Mas sentimos aquilo como algo belo, algo tão belo que pode nos levar às lágrimas de admiração.
A beleza das formas, a harmonia das cores, a justa proporção etc., nos conduzem para perto da idéia do bom, do justo, do verdadeiro.
Quando nos acercamos do belo, temos uma tendência à elevação, a buscar algo que transcenda a nós mesmos, nossa mente busca as altitudes, as sublimidades, aos píncaros...Isso causa em nós uma transformação interior. Tudo o que admiramos nos transforma, entra em nós de forma que, lentamente, passa a fazer parte de nós mesmos.
O feio é expressão do MAL. O feio rebaixa, conduz ao rebaixamento, conduz a um tipo de regozijo na lama, na sujeira, nos instintos descontrolados, no caos.
É exatamente essa elegia do feio, do hediondo, do aberrante, do bizarro e da calamidade que encontramos hoje em dia.
O pensamento contemporâneo é dominado por três pilares: dinheiro, poder e sexo. Ter dinheiro é ter poder. Ter poder é a possibilidade de satisfazer os instintos bestiais de maneira livre e desenfreada.
O comunismo está sempre preocupado com dinheiro e poder. O Estado precisa ter controle sobre o "capital", ou seja, sobre os meios de produção e sobre o dinheiro. Isso é ter poder.
Tendo poder, ele distribuirá o acesso ao capital para as pessoas e elas, consequentemente, não precisarão invejar as outras pois todos serão "iguais". Isso é o paraíso na concepção comunista. Tudo é reduzido a ter dinheiro e ter poder. Se eu tenho tanto dinheiro quanto meu vizinho, então, desprezando todo o resto (cultura, moralidade, elevação espiritual, nobreza, tradições, funções etc.), sou "igual" a ele e tenho as mesmas possibilidades que ele de "ser feliz"...
O capitalismo está sempre preocupado com dinheiro e poder. Os indivíduos precisam lutar para ter controle sobre o "capital". O mercado é uma guerra e, aqueles que triunfam na obtenção dos meios de produção e do dinheiro detêm o poder. Ser feliz é ter dinheiro pois quem tem dinheiro tem poder e quem tem poder satisfaz todas as suas infinitas "necessidades". Urge correr atrás de ter dinheiro e de ter poder para ser "feliz". Pessoas completamente diferentes em seus costumes, hábitos, necessidades e condutas são classificadas de acordo com o montante de dinheiro que acumularam. Cultura, moralidade, elevação espiritual, nobreza, tradições, funções etc., não importam nesse panorama. O que conta é a quantidade de dinheiro (e de poder) acumulados pelas atividades desempenhadas.
O sexo é uma preocupação constante nesse quadro.
Dinheiro e poder estão relacionados com a quantidade de prazer sexual que pode ser obtido através da "conquista" monetária.
As letras de músicas falando sobre "ostentação", as demonstrações de "conquista" através de carros de luxo, vida cercada de supérfluos ostentatórios etc., estão na ordem do dia.
O culto ao corpo, o apelo a drogas anabolizantes, a negação da velhice (medicina "anti-age") e muitas outras práticas falam, de maneira eloquente, sobre o vazio existencial da busca por dinheiro, poder e sexo.
Tudo isso mostra um mundo despedaçado, uma sociedade doente, pessoas sem direção.
À medida que a vida perde um significado mais profundo, ações monstruosas tendem a ocorrer. A vida humana vale menos que um relógio de grife, um carro ou um par de tênis importado. Se mata por nada. A violência é uma maneira de obter o que é desejado, seja dinheiro, poder ou sexo. Também é uma resposta para o vazio de sentido. As letras de "satanic metal" ou "hardcore metal" estimulam atos desse gênero.
No meio de tudo isso estão aqueles que se julgam "bons".
São os religiosos, os que cumprem minimamente seus deveres, os que não cometem crimes e que, em alguns casos, também não estão consumidos pelas ambições.
Qual é o papel que eles desempenham em tudo isso?
Eles desempenham dois papéis: O de idiotas úteis e o de platéia boquiaberta e inerte.
São idiotas úteis porque, muitas e muitas vezes, de maneira inconsciente ou semi-consciente, trabalham pelos objetivos do Mal. 
São a platéia boquiaberta e inerte porque, muitas e muitas vezes, quando as explosões do Mal são mais explícitas, se chocam, se intimidam, comentam e NADA FAZEM.
Não oferecem maior resistência do que a de pedregulhos sendo arrastados pela corrente de um rio turbulento.
Outro dia, vi um anúncio de uma palestra em um templo sobre a "não-reatividade". Que beleza. Não reaja. Não se choque. Não se mova. Seja apenas um pedregulho sendo arrastado pela correnteza. O pedregulho deve acreditar que é uma imensa rocha, contra a qual nada podem as águas do rio...Como é iludido o pobre pedregulho!
Esse é o tipo de ação do idiota útil.
Se você fosse um bandido, a quem escolheria assaltar: A uma senhora de 70 anos, distraída, debilitada, desarmada e sozinha ou a um indivíduo forte, atento, armado e preparado para reagir?
Se fosse invadir uma casa, preferiria a residência de um casal pacifista e desarmamentista, fisicamente frágil e desarmado, ou a de um casal de atiradores fortes e reativos que, com certeza, lhe receberia com tiros de espingarda calibre .12?
As respostas são óbvias.
O Mal triunfa à medida que não encontra reação e nem resistência.
Será que os falsos artistas se sentiriam tão à vontade em uma sociedade com padrões elevados e exigências de alto padrão artístico?
Será que os cantores de letras imorais se sentiriam tão bem cantando diante de uma platéia de rigorosos maestros com padrões morais elevados?
Como se sentiriam os ricaços diante de pessoas que desprezam o valor atribuído ao dinheiro?
O triunfo do Mal deve muito mais à ausência de resistência dos bons do que, propriamente,  ao trabalho deliberado dos maus.
Os maus odeiam aos bons e odeiam ao Bem. Qualquer um que trabalhe na resistência ao Mal e combata pelo triunfo do Bem é objeto imediato do ódio dos maus. Não há tréguas nesse ódio.
Os maus trabalham para desmoralizar, desacreditar e aniquilar aos bons.
Enquanto os bons pensam em "não-reatividade", os maus não cessam sua obra de agressão. Quanto maior a facilidade, maior a sanha de ataque.
A resistência aberta, honesta e reativa é o primeiro dever dos que estão do lado do BEM. É escolher morrer lutando. Ou eu aniquilo o Mal ou prefiro ser aniquilado na luta contra ele. Prefiro morrer lutando do que ter que suportar sua vitória sobre o Bem.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A "Transmissão da Lâmpada"...

Conversando sobre meu último post com o Upasaka Pundarikakarna, perguntei se era tão difícil assim compreender a formação da THIRB.
A resposta dele me deu motivos para desenvolver alguns raciocínios que compartilho com os leitores.

Eu: Será que é muito difícil de compreender?

Pundarikakarna: Tá difícil sim. Tem que pensar. A melhor resposta envolveria vozes misteriosas, luzes místicas e um japa com uma frase sem sentido.

Eu: É verdade ...Qualquer coisa que envolva raciocínio, pesquisa em fontes tradicionais e fidedignas, traduções complicadas etc., é "difícil". Legal mesmo é abraçar alguma coisa sem nem saber a razão. Só "senta e respira" e "pense o não pensar", sem grandes perguntas. Se você perguntar alguma coisa para o qual não há resposta, vão dizer que é algo "além do raciocínio" e uma "transmissão além das escrituras", que veio desde o Buda Shakyamuni e que a prova disso é o papelzinho onde há os nomes da "linhagem"...

Eu: O que foi transmitido? Ah, a "Lâmpada do Dharma". E o que é essa "Lâmpada"? Ah, é algo tão fabuloso, mas tão fabuloso, que é mais ou menos indefinível...
Tome 20 seitas budistas diferentes que alegam "transmissão histórica" e você encontrará 20 teorias diferentes completamente antagônicas. Uma dirá que só o daimoku é que conduz à Iluminação no Mappô. Faça Daimoku e acredite no Buda Primordial. Faça Daimoku e acredite  na "reencarnação" do Jôgyô Bosatsu. Faça Daimoku aqui, porque o Gohonzon do outro é inválido. Outra dirá que só o zazen, que é a "prática do próprio Buda", é que pode te iluminar. Mesmo assim, você tem que ter um "mestre". Ué? Mas não é só fazer zazen? Ah sim, é o zazen, mas vc tem que ter um mestre pra te orientar...Orientar no q.? Eu já sei fazer zazen...Não, mas tem outras coisas...Ué? Mas não era só o zazen? Ah, isso vai além do pensamento comum...(Incoerência e contradição interna vão além do "pensamento comum"). Uma terceira vai te dizer que só o Nembutsu é apto para libertar as pessoas do Mappô. Mas, além do Nembutsu, há uma enorme construção institucional em volta...Ué? Mas não era só o Nembutsu? Era, mas não é bem assim...Outra vai dizer que, a única forma de atingir a Iluminação nessa vida são as práticas esotéricas, vindas da "linhagem" de Mahavairocana em pessoa. E assim, nessa mistureba infernal de teorias contraditórias e antagônicas, todos alegam que receberam "a Lâmpada do Dharma" através de uma "linhagem" histórica...
 De acordo com os advogados das seitas, essas doutrinas todas, confusas, antagônicas, ilógicas etc., foram transmitidas diretamente pelo Buda aos mestres de sua linhagem. Ele transmitiu tudo isso, essa cacarecada de teorias esdrúxulas, e eles "preservaram" a "Lâmpada do Dharma"...
Você pega os escritos dos primeiros organizadores dessas religiões e vê um xingando o outro, um descompondo o outro, um tacando fogo no templo do outro, um excomungando o outro. Depois de séculos se xingando e cuspindo uns nos outros, eles se unem em reuniões de amigos e em federações. Aí, fazem questão de esquecer tudo aquilo que seus "mestres transmissores da Lâmpada" disseram sobre os outros e se dizem amigos. Ué? Mas o que os mestres do passado disseram não importa mais? Não foram eles que transmitiram a "Lâmpada do Dharma" a vocês? Não são eles que vocês veneram como os "Ancestrais do Dharma" e "Patriarcas da Linhagem"?


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Por que fundar a THIRB?

P. Prezado Arya,

Gostaria de saber por qual razão você achou que deveria fundar a THIRB.
Já li alguns dos motivos que você dá, mas gostaria de saber o fundamento doutrinário, ou seja, qual são os pontos centrais por ter fundado e como foi esse desenvolvimento.
No que a THIRB difere das outras doutrinariamente?
Não tinha jeito de participar de uma Escola que já existisse?

Desde já agradeço!

R. Vou tentar resumir. Não sei se vai ser tão fácil, mas, vamos lá. 
Baseado no ensinamento do Grande Mestre Tiantai Zhiyi, há quatro tipos de ensinamentos budistas: O ensinamento Hinayana (cang 藏), o ensinamento compartilhado, ou seja, meio Mahayana e meio Hinayana (tong 通), há o ensinamento separado, exclusivamente Mahayana (bie 別) e há o ensinamento Mahayana Perfeito (yuan 圓).
Com o passar do tempo, os ensinamentos de Tiantai Zhiyi foram obscurecidos por compreensões errôneas e parciais.
Os budistas chineses nunca saíram do nível de "ensinamento compartilhado", ou seja, adotam as listas de preceitos Hinayana juntamente com Preceitos Mahayana. Têm uma visão Hinayana em muitos pontos e não conseguiram se abrir totalmente ao Mahayana.
Quando não são abertamente heréticos, não passam do segundo nível de ensinamento.
O Grande Mestre Saichô, no Japão, ao introduzir a plataforma de Preceitos para os Monges Bodhisattvas (Bosatsu-sô) e abandonar os Preceitos Hinayana, foi além desse estágio e atingiu o nível de ensinamento exclusivamente Mahayana. Dentro de sua época, foi mais além e, adaptando o Ensino ao tempo e ao lugar, demonstrou o ensinamento Mahayana Perfeito.
No entanto, com o passar do tempo, as condições mudaram e, aqueles que deveriam entender o que o Mestre Tiantai ensinou, ou seja, que de acordo com as Três Verdades 三諦 (insubstancialidade 空/ transitoriedade 假/ Caminho do Meio 中) as formas exteriores do ensinamento também são condicionadas e, portanto, transitórias e insubstanciais, devendo ser adaptadas de acordo com a língua, os costumes e a compreensão das pessoas onde está sendo pregada, se apegaram aos costumes de suas terras de origem e os confundiram com os próprios ensinos. Além disso, adotaram crenças estranhas, idéias externalistas, heréticas e errôneas, sem nenhuma base nas Escrituras Sagradas do Dharma.
Isso fez com que se abandonasse a idéia central de "adesão ao Sutra do Lótus" do Mestre Tiantai, que ensina que aquele que compreende e adota completamente o ensinamento do Sutra do Lótus se torna mestre perfeito em todos os conjuntos de Preceitos de maneira súbita.
Em vez de propagarem de maneira ortodoxa o que é exposto no Sutra, se desviam em interpretações sem sentido, em práticas condenadas, em exterioridades ou só se preocupam obstinadamente com a manutenção das formas exteriores vindas da China e do Japão.
Aqueles que deveriam propagar esses ensinamentos, acabaram adotando outras práticas como "centrais", ou seja, a meditação sentada incorretamente orientada, a repetição do nome do Buda Amitabha e as práticas esotéricas desprovidas da correta visão.
Tendo em vista este lamentável estado de coisas e estudando cuidadosamente os textos sagrados, senti-me vocacionado a reformar a Escola Tiantai, me baseando exclusivamente nos ensinamentos legítimos e legitimamente transmitidos através do cânone budista.
A princípio, como outros monges do passado (o próprio terceiro Patriarca Tiantai, Hui-Si, e o reformador da Escola Ritsu no Japão, Eizon) e autorizado pelo próprio texto do Sutra Mahayana da Rede de Brahma, tomei os votos de Bodhisattva sozinho, diante das imagens dos Budas e Bodhisattvas e fiz o grande voto de aderir completamente aos ensinamentos do Sutra do Lótus e de propagá-los de forma correta. Isso, de acordo com a visão dos ensinos puramente Mahayana, propagados pelo Mestre Saichô e, antes dele, por Ming Guan, me tornou um monge bodhisattva. Se eu compreendi completamente a mensagem do Sutra e aderi a ela totalmente, também me tornei Mestre de todos os tipos de preceitos (de acordo com o ensinamento tradicional de Tiantai Dashi).
O grande estudioso dos Preceitos, Eizon, abandonou seus votos hinayana e, vendo a falta de ortodoxia daqueles que conferiam os Preceitos de Bodhisattva em seu tempo, preferiu também proferir os votos por si mesmo, diante das imagens do Templo Saidai...
Depois de alguns anos, eu confirmei esses mesmos votos através de uma Linhagem de Taiwan.
Eu havia recebido uma transmissão esotérica chamada de "Isshin Kanjô"(以心灌頂), um tipo de iniciação esotérica de alto nível, onde a transmissão do Dharma se dá da mente de um acarya para a mente de seu discípulo quando as duas mentes estão em união. Essa transmissão esotérica, completamente ortodoxa e prevista no Mahavairocana Sutra, me forneceu as bases para o estudo do Budismo Esotérico da Era Tang (唐密), estudos esses que possibilitaram o estabelecimento do Budismo Esotérico corretamente orientado na THIRB.
Todas essas alegações estão, obviamente, documentadas.
Assim como toda doutrina legitimamente TRADICIONAL, a nossa doutrina atualiza o momento trans-histórico da pregação do Buda Eterno no Pico do Abutre. Estamos constantemente ouvindo a pregação do Sutra do Lótus. Nós e toda a Assembléia de Bodhisattvas e Patriarcas da Linhagem de Tiantai. Para nós, essa pregação não é parte do passado. Está situada num momento fora do tempo linear. É eternamente presente e nós temos acesso a ela diretamente, assim como ensinaram os patriarcas de nossa Escola.
Ao juntar um grupo de pessoas animadas pelos mesmos objetivos, fundamos a THIRB e eu fui eleito seu primeiro "Daisojô", ou seja, o primeiro Arcebispo Presidente. A linhagem adotada é a única linhagem verdadeiramente TRADICIONAL, ou seja, a Linhagem do Pico do Abutre (靈鷲山傳 Ling Jiu Shan Chuan), aquela que não é afetada pelas contingências da história profana.
Nossa Escola foi chamada de "Ichijô-Ryu", ou seja, Escola do Veículo Uno, justamente como referência ao Ensinamento do Sutra do Lótus, que abarca todos os ensinamentos e revela seu sentido mais profundo.
Buscando propagar o "Mahayana Perfeito e Completo", tentamos adaptar a língua (através de traduções fidedignas) e os costumes, para que as pessoas do nosso país e do nosso tempo possam estar também na Assembléia do Pico do Abutre.
Devido às múltiplas influências sofridas (Budismo Chinês e Japonês), obviamente que se conservam algumas características sino-japonesas que, no entanto, não engessam nossas ações e pensamentos. A verdade é sempre verdade, em que país do mundo for.
Todos os reformadores e fundadores sofreram múltiplos ataques e perseguições. Eu não seria a exceção.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Notinhas sobre o ENEM

ENEM: Exame Nacional do Ensino Medíocre, Exame Nojento do Ensino Medíocre, Excrescência Nacional do Ensino Medíocre, Exame Nacional da Estupidez Mofada...

Lendo o jornal, percebo a profunda, abissal e colossal incoerência do Brasil.
Um país em que o governo não cumpre qualquer prazo, um país em que as pessoas têm a cultura da impontualidade como segunda natureza, um país em que as universidades estaduais e federais vivem mais de greve do que em funcionamento...É nesse país que, para fazer um teatrinho ridículo de "rigor", trancafiam loucamente os portões na hora exatíssima para que mais nenhum estudante possa entrar para fazer a esdrúxula prova...Como se fosse fazer uma imensa diferença o sujeito começar a prova às 08:00 ou às 08:01.
O pior disso é o orgulho estúpido que os organizadores têm nessa reles demonstração de "otoridade" e "rigor". Oh rigor! Fechemos os portões dos currais para que só os asnos que ouviram o zurro dos outros a tempo, possam se refestelar na cocheira...

Vendo as fotos descabeladas de estudantes que não conseguiram vencer os "portões das Termópilas" modernos, por terem se atrasado um minuto ou dois, me deparo com a própria imagem da ilusão. Esses estudantes acham que perderam grandes coisas?
O ensino no Brasil é uma vergonha. As universidades federais são LIXOS onde não se ensina quase nada que preste (com raras e honrosas exceções). Os cursos são meros locais para doutrinação política esquerdista. O sujeito que quer mesmo aprender, quer distância desses locais onde estudar e aprender é o que menos se faz.

Uma senhora de apenas 32 anos enfartou na entrada do ENEM. Enfartou e morreu. Deixou dois filhos pequenos. O MEC publicou uma notinha "lamentando" o fato. Será que é tão difícil perceber que esse terrorismo feito pelo Estado em torno dessa prova RIDÍCULA, é só um jeito de encobrir a realidade, ou seja, de que o Brasil promove uma FARSA BURLESCA contra a real produção de conhecimento? No Brasil, autores sérios são motivos de zombaria pelo mercado editorial. Seus livros não são "comercialmente viáveis" porque o povo TAPADO não lê, não se interessa e não quer saber. As editoras só querem encher as burras de dinheiro. A "qualidade" dos livros é medida pela possibilidade de vendas maciças. Daí o imenso sucesso dos piores e mais ridículos folhetins colocados em forma de livro.
Nas universidades, as publicações dependem de "aval" dos professores que, obviamente, analisam as publicações em cima de critérios políticos (tanto de sua própria orientação política, quanto das políticas internas do puxa-saquismo acadêmico).
O autor sério no Brasil é um tipo de mendigo que vai com sua canequinha de esmolas (os originais de seus escritos) de editora em editora, escutando todo tipo de humilhação e de desculpa esfarrapada.

Quem são os professores que montam e avaliam as provas do ENEM? Gostaria muito de ter dois dedos de prosa com eles para saber, de fato, qual é a profundidade de seu conhecimento...

Em um país em que um semi-analfabeto manda e desmanda, onde uma presidente não consegue montar um discurso com três frases que façam algum sentido, em que um palhaço também semi-analfabeto (ou analfabeto completo?) é eleito deputado com número absurdamente grande de votos, onde as "celebridades" são os imbecis da TV que fazem programas para retardados, onde as "estrelas da música" são mulheres de nádegas volumosas a repetir funks ou indivíduos com aspecto repulsivo a falar de "ostentação", realmente é muito importante fazer uma prova para entrar em uma universidade federal? De qualquer forma, uma vez lá dentro (da universidade), a maior parte do tempo será consumida em greves, politicagem, doutrinação ideológica de esquerda, assembléias estudantis, festas e blá-blá-blá. Ao se deparar com o mundo real, os recém formados se depararão com a realidade das ruas, onde ser rico e bem sucedido não tem nada a ver com ter diploma universitário. Então, para expressar sua revolta, eles se afirmarão como militantes contra "o sistema"...

Uma mulher grávida pulou o portão do local da prova, que encontrou já fechado. Foi "capturada" e conduzida para fora pelos seguranças. Claro, estava atrasada mais de um minuto. Oh rigor! 
Como seria bom se o judiciário tivesse esse rigor...Como seria bom que as promessas do governo fossem cumpridas assim...

As questões do ENEM não são tendenciosas. Se você responde louvando a esquerda e o "social", a resposta está certa. Se você apresenta dados, lógica e razão contrariando a esquerda, você é um "reaça" e a resposta está errrada.

Todas as provas patrocinadas pelo Estado (os tais "certames públicos") se revestem de um ar policialesco, tenso e francamente revestido de características próprias a aterrorizar os seus participantes. É um jeito interessante de mascarar a incompetência estatal em todas as outras questões, de mostrar uma "seriedade" que é fantasiosa e inexistente na condução das questões públicas e de tentar fazer com que o indivíduo se sinta acachapado pela "grandeza" e pela força do Estado. Carroça vazia é a mais barulhenta...


domingo, 9 de novembro de 2014

Os discípulos de Tiantai (Parágrafo completo)


"Devemos perguntar, a quem prestaremos respeito como mestre?
[E Zhiyi respondeu:]
- Vocês já não me ouviram? Os Preceitos é que são seu mestre. Os Quatro Tipos de Estados Meditativos é que são seus guias iluminados. São eles que te ensinam como abandonar o pesado fardo. São eles que te ensinam como subjugar os três venenos. São eles que te ensinam como controlar os Quatro Grandes Elementos. São eles que te ensinam sobre a liberação das amarras cármicas. São eles que te ensinam como derrotar o exército de Māra. Eles que te ensinam como perceber o sabor da meditação. Te ensinam como recolher o estandarte do orgulho. Te ensinam como se afastar dos conceitos heterodoxos. São eles que te ensinam sobre emergir das profundezas daquilo que não é condicionado. São eles que te ensinam sobre como afastar os empecilhos para obter a Grande Compaixão. Apenas esses Grandes Mestres podem oferecer os fundamentos para seu aprendizado. Eu e vocês estamos juntos aqui para encontrar as características dos fenômenos. Através do Dharma nos tornamos parentes. Praticando e transmitindo a luz da lâmpada de Buda, vocês continuam a ser meus seguidores. Caso não façam isso, estarão praticando e transmitindo a luz da lâmpada do demônio e não serão meus discípulos." (T2050._.01.196b15-22)
(Coletado e traduzido por Upasaka Pundarikakarna)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Quem são os discípulos de Tiantai?

Tiantai Zhiyi (século VI), quando questionado em seu leito de morte sobre quem deveria ser seu sucessor, respondeu:


"Os Preceitos são vosso mestre. Foi isso que eu sempre ensinei. Tome os quatro tipos de estados meditativos como vosso límpido guia (...) Apenas tais grandes mestres podem ser o fundamento de vosso amparo. Através do ensino nos encontramos; através do ensino nos tornamos parentes. Se você transmitir corretamente a luz da lâmpada de Buda, então você faz parte de minha família. Se você não fizer isso, então você não é meu discípulo." (Sui Tiantai Zhizhe dashi biezhuan. T50_2050.196b15-22)

Coletado pelo Upasaka Pundarikakarna

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A beleza da autenticidade

Um camponês, que se porta como camponês, tem uma beleza e uma grandeza próprias.
Suas mãos calejadas, suas vestes modestas, sua hospitalidade e bonomia, seu jeito sereno e simples cativam pelo bom, pelo belo e pelo verdadeiro que transmitem.
No sítio de um tio materno meu havia um senhor assim. Sereno, humilde, benfazejo. Me lembro de, ainda adolescente , ajudá-lo a preparar copinhos de papel para o plantio de tomate, ao qual ele se dedicava. 
A boa prosa, sentado na varanda, olhando o pôr do sol por trás das árvores altas que se podiam enxergar ao longe do terreiro, onde as galinhas ciscavam durante todo o dia e que, àquelas horas crepusculares, encontrava-se deserto, pois as galinhas já estavam empoleiradas em umas arvorezinhas baixas que havia no terreiro, tinha um efeito terapêutico sobre mim.
Sentávamos em bancos rústicos, de madeira sem nenhum tratamento, feitos ali mesmo, mas, aquele ambiente de paz, o silêncio que começava a pairar sobre a atmosfera, umas poucas estrelas que iam surgindo no firmamento ainda acinzentado e manchado de rosa e laranja, o frescor do ar etc., me davam uma impressão enorme de majestade, nobreza, grandeza...
Meu amigo camponês, com grande habilidade e serenidade, ia compondo seus copinhos de jornal e eu, desajeitado, ia tentando imitá-lo.
Nossas conversas giravam em torno das belezas da natureza, do frescor do ar e, muitas vezes, ele me contava sobre sua infância, seus pais de criação (era irmão de criação da esposa do meu tio), as mudanças que observava na sociedade, etc.
Seus modos serenos, seu tom de voz calmante, sua modéstia e sua moralidade de homem de outros tempos, impunham respeito e, ao mesmo tempo, davam-lhe um ar belo, de uma beleza que não mais vejo.
Suas camisas eram surradas, as calças também, mas havia um quê de elegância ao compor as peças, uma discrição nas cores e um grande pudor e modéstia.
O que teria ganhado ele se, levado pelo "prurido das novidades", abandonasse o campo, usasse roupas das modas ridículas de hoje em dia, fosse trabalhar como atendente ou serviçal de alguma empresa para, às seis horas da tarde, enfiar-se num ônibus suarento rumo a alguma periferia poluída?
Pior, onde estaria essa majestade conferida pela autenticidade se, ao invés de ser plenamente o que era, ou seja, um camponês à conta inteira, resolvesse tentar aparentar ser outra coisa, se fantasiando com as roupas da moda, pagando tudo em prestações e enfiando-se em dívidas para ter um maior "status"?
A desgraça de grande parte da nossa sociedade é ter vergonha de ser o que é, é buscar se vestir e se portar de uma maneira que lhe é estranha e anti-natural.
Nobre, seja nobre. Camponês, seja camponês. Mãe de família, seja mãe de família. Avós, sejam avós. Todos esses papéis são complementares e importantíssimos.
Quando uma casta quer ser algo que não é, começa a desordem e o caos.
Não há nada mais ridículo do que uma pessoa sem requinte querer parecer requintada, ou alguém inculto querendo aparentar erudição.
Humildade é, justamente, ser o que se é, nem mais nem menos.
Humildade combina com modéstia, com bom gosto, com discrição. E todas essas coisas combinam com beleza, com bondade e com verdade.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Por que o Budismo e o Comunismo são incompatíveis?

1) O Budismo é hierárquico e anti-igualitário. A Comunidade Budista (Sangha) é dividida em 4 níveis: Bhikshus, Bhikshunis, Upasakas e Upasikas (Monges, monjas, leigos e leigas).
Dentro das comunidades de monges e monjas há graus superiores e inferiores, sendo devida obediência e respeito dos inferiores aos superiores.
Além disso, há a hierarquia nos níveis de realização do Nobre Caminho (Arya Marga, em 4 níveis - desde o Srotapanna até o Arhat) e hierarquia entre os ensinamentos : Hinayana, Hinaya-Mahayana, Mahayana Provisório, Mahayana Superior e Mahayana Definitivo (essa divisão pode ser encontrada, de forma abreviada, como 藏,通,別, 圓).
Os sutras mostram que, em uma sociedade guiada pelo Dharma, a distinção entre os superiores e os inferiores é algo desejável e natural.
Em contrário, o comunismo é igualitário e anti-natural, tentando reduzir todas as desigualdades naturais a mero produto social.
O comunismo odeia toda hierarquia e toda distinção entre os inferiores e os superiores, não reconhecendo, sequer, a existência de tal divisão.

2) O Budismo é absolutista em suas definições. Os Três Tesouros são Absolutos, ou seja, o Buda como Mestre Supremo de Homens e Deuses, o Dharma como a Suprema Doutrina e a Sangha como a Suprema Comunidade.
Budista é aquele que se refugia no Buda como Mestre Supremo, no Dharma como Doutrina Suprema e na Sangha como Comunidade Suprema.
Budista é aquele que adota a Moralidade Budista Básica contida nos 5 Preceitos: Não Matar, Não Roubar, Não Praticar Sexo Ilícito, Não Mentir, Não se Intoxicar.
Esses preceitos são UNIVERSAIS e comuns a TODO O BUDISMO.
O Budismo aceita como VERDADES ABSOLUTAS: A TRANSITORIEDADE,  O SOFRIMENTO, A INSUBSTANCIALIDADE DE TODOS OS FENÔMENOS E A ILUMINAÇÃO.
Todos os fenômenos são transitórios, todos os fenômenos são permeados de sofrimento, todos os fenômenos são insubstanciais e a Realidade Absoluta é a Iluminação. Anitya, Duhkha, Anatman e Nirvana.
Em contrário, o comunismo é relativista e desprovido de moralidade objetiva.
Tudo no comunismo gira em torno da "revolução" e da "luta de classes", tendo como objetivo a apropriação do "capital de produção" pela coletividade.
Para o comunismo, é bom aquilo que atende aos objetivos da revolução e mau aquilo que é contra-revolucionário, independentemente da objetividade dos atos em si.
O comunismo afirma que a religião é o "ópio do povo" (Marx) e submete toda a existência a uma ideologia materialista, que reduz todas as relações e fenômenos da vida e da sociedade à mera interpretação econômica.
O comunismo é materialista e, em muitas de suas correntes, mecanicista e determinista, negando ao ser humano a liberdade de decisão.

3) O Budismo ensina a doutrina do Karma.
Tudo o que fazemos tem consequências. Somos responsáveis pelos nossos atos e somos responsáveis também pelos resultados que eles produzem.
Em contrário, o comunismo responsabiliza o capitalismo, o liberalismo ou o fascismo por todos os males sobre a face da Terra. Reduz as responsabilidades do homem diante dos resultados de suas ações, atribuindo quaisquer frutos negativos à "desigualdade social", à "má distribuição de renda", ao governo, ao sistema político etc.

4) O Budismo respeita a propriedade privada.
Os preceitos morais budistas são claros em condenar o roubo, o furto e qualquer subtração de coisa alheia sem o consentimento do legítimo proprietário.
O Sutra Mahayana da Rede de Brahma ensina que não se deve subtrair nem uma agulha ou uma folha de grama. Não se pode subtrair nem dos fantasmas de um cemitério abandonado.
Em contrário, o comunismo ensina a invasão, a subtração de bens móveis e imóveis alheios. Tem como "legítima" toda ação que arranque do legítimo proprietário seu DIREITO de posse, pois não reconhece a propriedade privada e prega que os bens devem ser coletivizados e controlados pelo Estado Plenipotenciário.

5) O Budismo ensina a superioridade do espiritual sobre o material.
Os sutras mostram que os monges e as monjas, seguindo o caminho de renúncia, são superiores a quaisquer representantes dos poderes seculares.
O Sutra do Lótus ensina que os ascetas não devem buscar a proximidade com reis ou príncipes e que não devem se envolver em demasia com assuntos de Estado. Também não devem demonstrar excessivo respeito ou subserviência a eles.
O asceta deve pregar de um assento mais elevado que a audiência, seja quem for que esteja presente nela. Deve estar sentado e cercado de sinais de respeitabilidade. Não é obrigado a se levantar para saudar nem o Imperador (essa era a realidade na China Imperial), só se levantando para um monge mais velho e mais venerável.
O asceta não prega para alguém que esteja sentado enquanto ele está de pé. Não prega para alguém que esteja calçado diante dele (isso era sinal de status antigamente), não prega para alguém que esteja sob um parassol (outro sinal de status), seja ele nobre, príncipe ou rei. Não prega para alguém que esteja com o pescoço envolvido em uma echarpe de lã (sinal de status visto como forma de arrogância na Antiga Índia). Só prega para quem venha a ele e peça com humildade para que  exponha o Dharma.
Em contrário, o comunismo rebaixa o que é espiritual e exalta o que é material. Atribui aos líderes políticos e partidários uma importância demasiada, louvando-os como se fossem deuses e tomando de forma dogmática e cega suas palavras e ordens.
Os religiosos em um Estado comunista são vistos como propagadores de superstições anti-científicas e representantes de um passado "feudal", em uma completa inversão de valores em relação ao que ensinam os sutras.

6) O Budismo respeita e venera a família tradicional.
Os ensinamentos budistas demonstram os valores da família tradicional. O próprio Buda Sakyamuni era casado e pai de família. Depois de abandonar a vida secular e tomar o hábito de asceta, continuou formalmente casado.
Buda, mesmo saindo da vida secular, cita com orgulho ao seu próprio clã e aos seus antepassados (vide Ambatta-Sutta).
Posteriormente, sua esposa e seu filho se tornaram seus discípulos e também seguiram o caminho da ascese.
Buda instruiu a vários chefes de família sobre os valores adequados para o marido e a esposa, bem como para as relações entre pais e filhos.
O Sutra de Vimalakirti demonstra como seguir a vida ascética sendo casado. Demonstra os valores profundos do Dharma no seio de uma família numerosa.
Em contrário, o comunismo prega a dissolução familiar, a negação da estrutura familiar composta de pai, mãe e prole e, em último estágio, a apreensão dos filhos para que sejam educados pelo Estado comunista.
Para o comunista, se os pais forem contrários às idéias revolucionárias, devem ser odiados e delatados ao Estado policialesco pelos próprios filhos. O mesmo acontece se os filhos forem os contra-revolucionários.
Além disso, há um esforço deliberado por parte dos comunistas em perverter todos os valores familiares para que a própria idéia de família desapareça.
A idéia de piedade filial, citada diversas vezes em sutras como o Sutra Mahayana da Rede de Brahma, no Sigalovada-Sutta e no Sutra da Bondade Devida aos Pais, é pisoteada pela ideologia comunista.

7) O Budismo ensina a compaixão e o entendimento entre todos os seres.
O Budismo combate a raiva, o ressentimento, a ira e o encorajamento a esses comportamentos negativos.
O Sutra Mahayana da Rede de Brahma diz que um discípulo de Buda deve ser compassivo e filial ajudando todos os seres a desenvolverem boas raízes de não-contenção.
O Sutra do Lótus ensina que o discípulo de Buda deve ser paciente e não retribuir mal com mal.
Em contrário, o comunismo apregoa a luta de classes, o ódio entre ricos e pobres, entre proletários e burgueses e uma luta sem tréguas entre os revolucionários e os contra-revolucionários.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O absurdo evidente

Mensagem da leitora que formulou a pergunta anterior:

"Uau!!! Eu não tinha me dado conta do absurdo que é um grupo de relativistas querendo definir quem é certo e quem é errado! E ainda dizendo qual é a instituição correta! Correto para o relativista é só o que é relativo e indefinido!
Agora eu entendi o que você quis dizer quando citou o Nelson Rodrigues dizendo que só os profetas enxergam o óbvio!!!
Sem dúvida nenhuma, você foi profético agora!!!!!!!!!!!!!!!"

A origem da confusão

P. Arya,

Ao que o sr. atribui a confusão existente hoje entre os fiéis budistas?
Pergunto isso pq tenho diversos amigos budistas. Cada um deles fala uma coisa diferente (e até antagônica) quando tentam explicar a sua religião.
Eles são também parte do XXX e dizem que esse é o órgão oficial do budismo brasileiro.
Obrigada!

R. Prezada leitora,

A confusão é fruto da profunda crise e da confusão doutrinária existente dentro das próprias instituições budistas e do próprio clero.
Quando não se sabe algo e não se quer estudar com profundidade, é mais fácil inventar ou construir um conhecimento esfacelado, na base do "ouvi dizer que" ou acreditando que o fato de alguém ter um título faz com que o conhecimento seja infuso em seu intelecto...
Isso tudo termina em um discurso desencontrado, confuso, fragmentado, apontando para várias direções que, no final, dão em lugar nenhum.
A realidade é que essas instituições não têm, ipso facto, nenhuma doutrina efetiva.
Como afirmei no meu texto sobre "O Grande Esvaziamento", esse tipo de "budismo" é um boneco oco, que pode ser preenchido com as mais diversas idéias, doutrinas e invenções...A gosto do freguês.
Uma vez que, para eles, não há nenhuma verdade absoluta, nenhuma Doutrina Absoluta e nenhum ponto inegociável, tudo é a mesma coisa, tanto faz a doutrina ou a prática, porque tudo "leva ao mesmo fim". O relativismo é o único ponto fixo nesse panorama de doutrinas mutantes e gelatinosas.
Em relação à sua segunda colocação, creio que esteja se referindo ao XXX. 
Não existe nenhuma "Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé" e nenhum "Santo Ofício" dentro do Budismo, ou seja, nenhum organismo tem autoridade para fulminar e dizer quem é oficial ou não oficial, quem é "seita obscura" e quem é "reconhecido", tendo em vista que as instituições são independentes e  não há, sequer, pontos fixos nas doutrinas que elas defendem.
É até um tanto cômico que um grupamento de relativistas se junte para dizer o que é certo e errado...
Para se falar em "reconhecimento" é preciso se perguntar: Reconhecido em relação a quem? 
Para se falar em "oficial" é preciso se perguntar: Oficial para quem?  Oficial em relação a que? 
Para o Estado Brasileiro, todas as religiões são iguais, em direitos e obrigações. Não há nenhuma diferenciação legal entre elas. A única "oficialidade" real é, portanto, referente ao Estado no qual uma determinada instituição está estabelecida.
Dizer que é "oficial" em relação ao próprio organismo ao qual se está filiado ou em relação a outros organismos particulares, constituídos de pessoas jurídicas particulares que têm boas relações entre si, não quer dizer absolutamente nada.
Essa é uma armadilha bastante comum, a lenda do "oficial" e "reconhecido".
Dizer que a outra instituição é "seita" é só um jeito de dizer que eu não gosto dela e usar uma 'palavra-talismã' que invoca impressões negativas na mente alheia. 
'Religião' é a minha, 'denominação' é aquela à qual sou indiferente e 'seita' é aquela da qual não gosto e que me incomoda.
O critério real, para se dizer o que é budista e o que não é, parte, unicamente, da Tradição Canônica. O que está fundamentado adequadamente nos Sutras e nos Tratados Canônicos Ortodoxos, é budista. O que é idéia do fundador, do mestre X, Y ou Z, da instituição W ou K, mas está contra o Cânone, não é budista.
O resto é groselha e fantasia de grandeza.

Correção numérica

Um leitor nos envia a seguinte mensagem:

Prezado Arya Dharmananda,

na referida postagem o Sr. usou dados do estado de Minas Gerais.

Os números do país são maiores; deles, o único foi a porcentagem de votos da candidata reeleita (51,64%); todo o resto me parecem ser apenas de Minas Gerais.

P.ex: 51,64% e 47,6% somariam 99,24%; pois a porcentagem do candidato Aécio Neves no país foi de 48,36% (com os já referidos 51,64% da outra candidata: 100%).
Se se considerar 1,1% (dos 21,1% de abstenções no país - 21,17% são em relação a MG) dos que não votaram por estarem impossibilitados, estimo a desaprovação em aproximadamente 60,74%.
Em alguns sítios virtuais os resultados por estado se tornam visíveis com o mero cursor da tela, sem que seja necessário selecionar; talvez daí a alteração.

Por fim, refiro-me, claro, apenas aos dados numéricos.Concordo com a análise.


Agradeço ao leitor a correção!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A farsa democrática

Na democracia as pessoas têm a falsa impressão de que podem "escolher" seus governantes. Nada mais falso.
Você pode escolher entre algumas limitadíssimas opções que lhe são apresentadas por uma estrutura já completamente viciada.
Se você não quiser optar por nenhuma das opções, não poderá fazer absolutamente nada. Não há recurso.
Vejamos o que aconteceu ontem no Brasil:

Pessoas que não queriam Dilma e votaram em Aécio: 47,6% dos votos válidos
Pessoas que queriam a Dilma: 51,64% dos votos válidos

Temos aqui 100% dos votos válidos.
Por essa conta, o democrata respira aliviado e pensa: Ah, a democracia, a maioria decidiu...
Mas se esquece que os votos válidos são diferentes da maioria do eleitorado.

Pessoas que não queriam nem Dilma e nem Aécio e, portanto, anularam seus votos: 3,56% 
Pessoas que não votaram, ou por não quererem nem Dilma nem Aécio ou por estarem impossibilitadas de votar (doentes, pessoas com título cancelado etc.): 21,17%
Pessoas que não se importam com o resultado e, portanto, votaram branco: 1,47%


Se considerarmos TODAS as pessoas que não queriam a Dilma, teremos:

47,6% que votaram em Aécio
3,56% que não queriam Dilma nem Aécio e anularam
20% dos que se abstiveram por não quererem compactuar nem com Dilma, nem com Aécio e nem com o sistema político atual (considero 1,17% uma margem razoável dos que não votaram por estarem impossibilitados)

Somemos os eleitores: 
5.428,821 votaram em Aécio
5.979,422 votaram em Dilma
____________________100% dos votos válidos

176.025 votaram em branco
427,782 anularam
3.255,049 se abstiveram de votar

Em outras palavras: 3 milhões 858 mil e 856 eleitores. 
Se somarmos a esses os que votaram em Aécio: 9 milhões 287 mil e 677 eleitores não queriam Dilma. 
Se o eleitorado total é de 15 milhões 267 mil e 99 eleitores (somando-se todos os segmentos computados), o total dos que não queriam Dilma é de aproximadamente 60,83% do total.
Isso sem contar as tais urnas com 400 votos computados previamente e toda a "liberdade" de voto dos que dependem das benesses governamentais...
Essa é a democracia.


domingo, 26 de outubro de 2014

Eleições 2014, uma análise pessoal

Como era esperado, Dilma Roussef foi reeleita.
Milhões de reais foram gastos pelo PT para que o poder fosse mantido.
A pregação contínua nas universidades e estabelecimentos de ensino de todo país também fez sua parte. A campanha continuará ininterrupta, rumo a uma socialização cada vez maior. 
Estudantes que nunca pagaram uma conta de luz, que nunca tiveram que se preocupar com o preço do pão ou que andam  de carro, que o papai comprou para eles, apóiam o grande projeto socialista para o Brasil.
Enquanto freqüentei às aulas de mestrado e doutorado, pude me deleitar com a visão de diversos carros importados de alunos, devidamente adesivados com a face de Che Guevara ou com a bandeirinha de Cuba. Lindo mesmo.
Aliás, esse foi o tema de uma discussão que tive lá com um professor. O fato dos filhinhos de papai ficarem falando em "relevância social" e os professores perguntarem sobre a "relevância social" dos projetos de pesquisa. 
Enquanto eu estava me matando para pagar mensalidade (caríssima) e rezando para sair a bolsa CAPES (que quase não saiu e que, quando saiu, eu já estava devendo os tubos para a igualitária e socializante universidade), eles andavam sorridentes com seus carrões importados e seus discursos socialistas porque o papai pagava a mensalidade sempre em dia.
Em uma das aulas, aliás, eu cheguei a dizer que, se os professores queriam "relevância social", que fundassem e dirigissem um grupo de funk porque o povo mesmo, esse não está nem aí para projetinhos de mestrado e doutorado. Quer mesmo é decorar a última letra do funk ostentação, que vai influenciar muito mais às suas comunidades do que o mais brilhante projeto de pesquisa.
Isso causou um certo furor em núcleos engajados da universidade que queriam me convencer que a sujeira e a desordem dos centros acadêmicos ao fundo do prédio, que parece mais uma favela ou um cortiço, é a mais pura expressão do igualitarismo marxista e não, simplesmente, falta de disciplina, de ordem e de vergonha na cara.
Me parece que essa mentalidade transborda bem além dos campus universitários.
Há gente que mora em casarão, que ganha bem mais de 20 mil reais por mês, mas que é socialista de carteirinha. Há religiosos ("budistas" inclusive) que vivem da doação da esquerdinha chic, daquelas madames que não têm muito em que enfiar dinheiro e que, então, resolvem investir em uma religião exótica, oriental e super "prafrentex", onde depois de uma meditação super relaxante e que astraliza a gente, se vai tomar café na cafeteria mais "high society", vestindo um casacão que trouxe de "Níu Iórki", mas que é socialista, socialistíssima, socialistérrima. Prova disso é que viajou para Cuba, comprou um álbum fantástico de Alberto Korda e, depois, deu uma esticada para Amsterdam, que é um outro "point" dos cools. Lá em Amsterdam, visitou um "point" exótico, oriental, super legal e tirou umas fotos de mãozinha posta. Gasshô my friends!
É tão cool (que é o legal mais legal, porque tem chic) posar com o adesivinho do PT no casaco!
Esses dias, aliás, me deparei com um sujeito, desses religiosos "cool", que coloca foto de terrorista, que queria fazer atentado com explosivos em plena Copa do Mundo, como sua foto de perfil no Facebook.  Isso é que é ser "cool" e "engaged buddhist"...Bolsa com 20 morteiros e 178 ouriços, com capacidade para matar e aleijar uma porção de gente (segundo laudo do CORE-RJ) é super  "revolts", " cool" e "noir"...Um "revival" dos "sixties", mas com um visual super meigo, de professorinha contra o sistema.
Além da propaganda universitária, dos religiosos de esquerda (dos quais o pseudo-budismo está infectado dos pés à cabeça) e da máquina de propaganda milionária, entrou no jogo também o interesse particular de quem vive de bolsa família e de outras muitas esmol...quer dizer, benesses, do governo petista.
Esses votaram em peso no PT, não por um Brasil melhor, mas sim para a manutenção da teta em que mamam.
O problema, ao que parece, é que a democracia é assim. Completos imbecis podem votar e quanto maior o número de imbecis convencidos, maior a chance de ser eleito.
Segundo essa lógica, não é importante mostrar resultados efetivos ou fazer propostas factíveis. O que importa é convencer o maior número de onagros possível, e de um jeito que seja o mais fácil para que eles entendam, lançar merda sobre o adversário.
Se a aristocracia é o governo dos melhores, dos que sabem, a democracia moderna é o governo dos piores, do quanto pior melhor, da inversão de toda hierarquia legítima. 
Quanto mais ignorante o povo, mais facilmente é convencido. Quanto maior o número de convencidos, maior a chance de ser eleito. Logo, quanto mais ignorantes houver, maior a chance de ser eleito. Será que é tão difícil de perceber?
Há um ano atrás eu xinguei bastante as manifestações, demonstrando que elas eram fruto de movimentos que queriam lançar o caos sobre o país. Elas nada tinham de oposição real à situação que aí está. Falei até de um elefante inocente, que era a classe média com seu bom mocismo, seguindo encantada aos fascínios do "vamos fazer algo" que nada tinha a ver consigo própria.
Agora, minha teoria se confirma...Os "coxinhas" que foram esculhambados nas ruas pelos vermelhos, hoje receberam a resposta ao seu "ativismo".

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O louco

P. Sr. "Arya",

Cada vez que leio seus textos reacionários e ultra conservadores entendo porque já ouvi várias pessoas dizendo que você é louco e não um buddhista sério.
Será que você é tão cego que não vê sua própria loucura?
Já percebeu que nenhum buddhista te cita? Que você simplesmente não existe no universo buddhista brasileiro?
Por que será né?

R. Vou me ater a algumas palavrinhas.
A tática de rotular alguém, a quem se quer rebaixar, como "louco" é mais velha que andar para a frente.
Há uma interessante passagem no livro "Mental Health as a Social Weapon" de Stephen Chorover que diz o seguinte:

"O conceito de invalidez é um instrumento terrivelmente poderoso, que pode ser utilizado também contra dissidentes. Pois, se um dissidente é eficazmente rotulado de louco, segue-se que não tem sentido prestar atenção ao que ele está dizendo. Do ponto de vista político, a invalidação do comportamento político de um dissidente, 'provando' que esse comportamento é fruto de uma doença mental, é muito mais eficaz do que matar o dissidente. Matando-o se fará dele um mártir. Tachando-o de louco, tudo o que ele disser soará suspeito, como suspeito será quem quer que siga seu exemplo".

Acho que não preciso acrescentar mais nada pois não se cita a quem se quer "matar"...

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Lendo pessoas e ambientes: Uma perspectiva aristocrática

Cada vez que vou realizar alguma tarefa à rua, tenho a oportunidade de observar os ambientes, as pessoas e o comportamento social.
Hoje foi um desses dias.
Depois de cumprir algumas tarefas necessárias, parei em um restaurante para almoçar.
Trata-se de restaurante de algum nível, retirado da praça de alimentação de um shopping center em São Paulo.
Fiz meu pedido e, enquanto aguardava, notei que estava defronte a um espelho inclinado que me possibilitava a observação serena do que acontecia atrás de mim.
Logo na primeira observação geral,  notei uma senhora sentada com uma menina de 3 ou 4 anos de idade. A menina cortava pedaços de guardanapo, os enfiava na boca e depois os socava dentro de um canudinho. Depois de repetir essa operação algumas vezes, soprava em uma cusparada o conteúdo do canudinho no rosto da senhora que, ao que parece, era sua mãe. A mesma senhora ria e batia palmas. Ao lado dela, uma senhora mais idosa (avó?) conversava normalmente com a primeira, sem que aquilo se lhe afigurasse como uma tremenda falta de modos por parte da menina.
Passando para outra mesa, notei um senhor obeso, com uma camiseta branca de mangas compridas que estava sentado defronte a uma senhora. Esse senhor falava ao celular e, com a outra mão, ia comendo. Logo que desligou o celular, enfiou a mão por debaixo da mesa e começou a afofar o escroto sem nenhuma cerimônia. Depois de coçar-se à vontade, voltou a mão para a mesa e apanhou o copo de bebida, sorvendo uma grande golada. A operação de afofamento/coceira repetiu-se em seguida, até que o celular foi novamente empunhado e ele substituiu o escroto pelo celular uma segunda vez.
Estando eu absorto nessa bizarrice, fui despertado pelos comentários ditos em alta voz por uma senhora que se sentava ao meu lado. Dizia ela a um senhor que sentava defronte a ela que "o gordo não tem que reclamar, tem que parar de comer e fazer ginástica". Dizia em um tom tão elevado que, com toda a certeza, todo o salão ouviu claramente a sua fala.
Ao meu lado esquerdo estavam sentadas uma senhora de meia-idade e uma senhora ou senhorita mais jovem. Esta última falava sem parar e, mesmo com a boca cheia ou sendo preenchida pela comida, continuava falando, ao ponto da comida já inserida na boca ter pequenas partes expelidas em meio ao falatório.
Do outro lado do salão havia um magote em volta de uma mesa maior. Dentre ele, estava uma senhora loura, vestida com uma blusa de lantejoulas douradas, que falava em tom bastante alto também enquanto metade do magote olhava o celular e mostrava uns aos outros as imagens das respectivas telas.
Depois disso, chegou minha comida e eu me distanciei de tais imagens para comer em paz.
Ao sair do restaurante fui me encaminhando para uma livraria próxima quando fui surpreendido por um grupo de seguranças correndo em volta de um indivíduo de chapéu de peão de rodeio, calça jeans e camisa de clergyman (?!).
Achei aquilo estranhíssimo. Um padre-peão? E ainda com seguranças em volta e um corre-corre de pessoas de nível bastante baixo gritando, tirando fotos e correndo atrás? É, no mínimo, curioso.
Essa é a função de um padre? Ser "pop" e "superstar"? Andar cercado de seguranças?
Para meu azar, o grupo estava se dirigindo justamente para a mesma livraria que eu, onde o padre estaria distribuindo autógrafos aos seus fãs.
O grupo, composto em sua maioria por mulheres com comportamento bem afobado e semi-histérico, urrava a cada palavra do padre, tornando o ambiente da livraria bastante incômodo para qualquer análise tranqüila de livros.
Resolvi me afastar e ir embora logo. Ao me dirigir para o estacionamento encontrei vários magotes de fãs do padre a gritar e arruaçar pelos corredores do shopping. Comportamento bem "próprio" para pessoas devotas que deveriam buscar alguma serenidade e recolhimento, não é mesmo?
Bem próximo ao caixa do estacionamento, vi jogado ao chão um marcador com a foto do tal padre. Chama-se Alessandro Campos e escreveu um livro chamado "O que sou sem Jesus? Nada, nada, nada". Era esse o livro que estava sendo lançado e que causava toda a comoção no local.
A impressão geral que todos esses fatos me causaram é a de que a sociedade, cada dia mais, se afasta da noção de normalidade, serenidade e bons modos que seriam desejáveis para qualquer ambiente saudável.
Em locais para se tomar uma refeição, seria normal que as pessoas estivessem em paz, comendo tranqüilas, com certo distanciamento psíquico dos aborrecimentos do dia-a-dia, sem a neurose do celular sendo usado a todo segundo, sem berrar para falar e observando um mínimo de bons modos à mesa. Seria normal que uma mãe não permitisse que uma criança, ainda muito pequena, desenvolvesse hábitos grosseiros e inadequados à mesa e muito menos que a aplaudisse por tais hábitos.
Seria normal e desejável que um senhor não se coçasse de maneira grosseira e impudica, apertando os bagos do escroto em público, como se fosse a coisa mais "normal" do mundo.
O modo de conversar não precisa ser nervoso, cuspindo comida, gritando, gesticulando e mostrando a tela do celular. Pode ser em tom baixo, com gesticulação moderada, calma e sossego e sem celular.
Não é adequado a um sacerdote, de que religião seja, andar correndo no meio de seguranças, misturando roupas próprias do seu estado sacerdotal com botinas e chapéus de peão. O sacerdote deve ser exemplo de serenidade verdadeira, de modos corretos e de humildade. Nenhum sacerdote é "superstar", nem "artista", nem "celebridade" ou coisa semelhante. Sacerdote é sacerdote e como tal deve agir. Gritaria, correria, afobação e estrelismo são a própria antítese do estado sacerdotal.
Pessoas que vão a um local para comprar um livro religioso, ou seja, que, ao menos se supõe, que sejam envolvidas com a prática religiosa, devem procurar uma maior interiorização, modos mais resguardados, comportamento mais modesto,  não histeria, gritaria e correria.
O absurdo chegou a um tal ponto que ouvi um segurança advertindo uma senhora com um bebê para que ela saísse da porta da livraria pois o padre iria sair em alguns instantes e haveria "correria e empurra-empurra". Em outras palavras, os "devotos" poderiam derrubar a senhora e seu bebê...
A sociedade em que vivemos é, em sua imensa maioria, composta pela canaille  e, o pior, é um tipo de canaille que não percebe a anomalia que impõe aos ambientes. 
A calma, a serenidade, os bons modos e a apreciação dos momentos de tranqüilidade estão desaparecendo.Tudo é frenético, sôfrego, nervoso, tenso. É preciso preencher o próprio vazio existencial, a própria mediocridade interior, a própria vileza moral com sensações diferentes a cada instante, com um "prurido" por novidades que lançam a mente em ondas sempre renovadas de ansiedade.
Olhar o celular sem parar é parte dessa neurose coletiva pelas "novidades" e "notícias".
Mesmo as crianças devem buscar, sem cessar, o divertimento, mesmo que esse consista em cuspir pedaços de guardanapo babado no rosto da própria mãe.
O lado mais irracional e sem pudor é visto como aceitável em uma sociedade que já não diferencia mais entre o que é mais elevado e o que é mais baixo, entre superior e inferior, entre certo e errado. 
Vivemos em um mundo doente e caindo aos pedaços.