sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O louco

P. Sr. "Arya",

Cada vez que leio seus textos reacionários e ultra conservadores entendo porque já ouvi várias pessoas dizendo que você é louco e não um buddhista sério.
Será que você é tão cego que não vê sua própria loucura?
Já percebeu que nenhum buddhista te cita? Que você simplesmente não existe no universo buddhista brasileiro?
Por que será né?

R. Vou me ater a algumas palavrinhas.
A tática de rotular alguém, a quem se quer rebaixar, como "louco" é mais velha que andar para a frente.
Há uma interessante passagem no livro "Mental Health as a Social Weapon" de Stephen Chorover que diz o seguinte:

"O conceito de invalidez é um instrumento terrivelmente poderoso, que pode ser utilizado também contra dissidentes. Pois, se um dissidente é eficazmente rotulado de louco, segue-se que não tem sentido prestar atenção ao que ele está dizendo. Do ponto de vista político, a invalidação do comportamento político de um dissidente, 'provando' que esse comportamento é fruto de uma doença mental, é muito mais eficaz do que matar o dissidente. Matando-o se fará dele um mártir. Tachando-o de louco, tudo o que ele disser soará suspeito, como suspeito será quem quer que siga seu exemplo".

Acho que não preciso acrescentar mais nada pois não se cita a quem se quer "matar"...

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Lendo pessoas e ambientes: Uma perspectiva aristocrática

Cada vez que vou realizar alguma tarefa à rua, tenho a oportunidade de observar os ambientes, as pessoas e o comportamento social.
Hoje foi um desses dias.
Depois de cumprir algumas tarefas necessárias, parei em um restaurante para almoçar.
Trata-se de restaurante de algum nível, retirado da praça de alimentação de um shopping center em São Paulo.
Fiz meu pedido e, enquanto aguardava, notei que estava defronte a um espelho inclinado que me possibilitava a observação serena do que acontecia atrás de mim.
Logo na primeira observação geral,  notei uma senhora sentada com uma menina de 3 ou 4 anos de idade. A menina cortava pedaços de guardanapo, os enfiava na boca e depois os socava dentro de um canudinho. Depois de repetir essa operação algumas vezes, soprava em uma cusparada o conteúdo do canudinho no rosto da senhora que, ao que parece, era sua mãe. A mesma senhora ria e batia palmas. Ao lado dela, uma senhora mais idosa (avó?) conversava normalmente com a primeira, sem que aquilo se lhe afigurasse como uma tremenda falta de modos por parte da menina.
Passando para outra mesa, notei um senhor obeso, com uma camiseta branca de mangas compridas que estava sentado defronte a uma senhora. Esse senhor falava ao celular e, com a outra mão, ia comendo. Logo que desligou o celular, enfiou a mão por debaixo da mesa e começou a afofar o escroto sem nenhuma cerimônia. Depois de coçar-se à vontade, voltou a mão para a mesa e apanhou o copo de bebida, sorvendo uma grande golada. A operação de afofamento/coceira repetiu-se em seguida, até que o celular foi novamente empunhado e ele substituiu o escroto pelo celular uma segunda vez.
Estando eu absorto nessa bizarrice, fui despertado pelos comentários ditos em alta voz por uma senhora que se sentava ao meu lado. Dizia ela a um senhor que sentava defronte a ela que "o gordo não tem que reclamar, tem que parar de comer e fazer ginástica". Dizia em um tom tão elevado que, com toda a certeza, todo o salão ouviu claramente a sua fala.
Ao meu lado esquerdo estavam sentadas uma senhora de meia-idade e uma senhora ou senhorita mais jovem. Esta última falava sem parar e, mesmo com a boca cheia ou sendo preenchida pela comida, continuava falando, ao ponto da comida já inserida na boca ter pequenas partes expelidas em meio ao falatório.
Do outro lado do salão havia um magote em volta de uma mesa maior. Dentre ele, estava uma senhora loura, vestida com uma blusa de lantejoulas douradas, que falava em tom bastante alto também enquanto metade do magote olhava o celular e mostrava uns aos outros as imagens das respectivas telas.
Depois disso, chegou minha comida e eu me distanciei de tais imagens para comer em paz.
Ao sair do restaurante fui me encaminhando para uma livraria próxima quando fui surpreendido por um grupo de seguranças correndo em volta de um indivíduo de chapéu de peão de rodeio, calça jeans e camisa de clergyman (?!).
Achei aquilo estranhíssimo. Um padre-peão? E ainda com seguranças em volta e um corre-corre de pessoas de nível bastante baixo gritando, tirando fotos e correndo atrás? É, no mínimo, curioso.
Essa é a função de um padre? Ser "pop" e "superstar"? Andar cercado de seguranças?
Para meu azar, o grupo estava se dirigindo justamente para a mesma livraria que eu, onde o padre estaria distribuindo autógrafos aos seus fãs.
O grupo, composto em sua maioria por mulheres com comportamento bem afobado e semi-histérico, urrava a cada palavra do padre, tornando o ambiente da livraria bastante incômodo para qualquer análise tranqüila de livros.
Resolvi me afastar e ir embora logo. Ao me dirigir para o estacionamento encontrei vários magotes de fãs do padre a gritar e arruaçar pelos corredores do shopping. Comportamento bem "próprio" para pessoas devotas que deveriam buscar alguma serenidade e recolhimento, não é mesmo?
Bem próximo ao caixa do estacionamento, vi jogado ao chão um marcador com a foto do tal padre. Chama-se Alessandro Campos e escreveu um livro chamado "O que sou sem Jesus? Nada, nada, nada". Era esse o livro que estava sendo lançado e que causava toda a comoção no local.
A impressão geral que todos esses fatos me causaram é a de que a sociedade, cada dia mais, se afasta da noção de normalidade, serenidade e bons modos que seriam desejáveis para qualquer ambiente saudável.
Em locais para se tomar uma refeição, seria normal que as pessoas estivessem em paz, comendo tranqüilas, com certo distanciamento psíquico dos aborrecimentos do dia-a-dia, sem a neurose do celular sendo usado a todo segundo, sem berrar para falar e observando um mínimo de bons modos à mesa. Seria normal que uma mãe não permitisse que uma criança, ainda muito pequena, desenvolvesse hábitos grosseiros e inadequados à mesa e muito menos que a aplaudisse por tais hábitos.
Seria normal e desejável que um senhor não se coçasse de maneira grosseira e impudica, apertando os bagos do escroto em público, como se fosse a coisa mais "normal" do mundo.
O modo de conversar não precisa ser nervoso, cuspindo comida, gritando, gesticulando e mostrando a tela do celular. Pode ser em tom baixo, com gesticulação moderada, calma e sossego e sem celular.
Não é adequado a um sacerdote, de que religião seja, andar correndo no meio de seguranças, misturando roupas próprias do seu estado sacerdotal com botinas e chapéus de peão. O sacerdote deve ser exemplo de serenidade verdadeira, de modos corretos e de humildade. Nenhum sacerdote é "superstar", nem "artista", nem "celebridade" ou coisa semelhante. Sacerdote é sacerdote e como tal deve agir. Gritaria, correria, afobação e estrelismo são a própria antítese do estado sacerdotal.
Pessoas que vão a um local para comprar um livro religioso, ou seja, que, ao menos se supõe, que sejam envolvidas com a prática religiosa, devem procurar uma maior interiorização, modos mais resguardados, comportamento mais modesto,  não histeria, gritaria e correria.
O absurdo chegou a um tal ponto que ouvi um segurança advertindo uma senhora com um bebê para que ela saísse da porta da livraria pois o padre iria sair em alguns instantes e haveria "correria e empurra-empurra". Em outras palavras, os "devotos" poderiam derrubar a senhora e seu bebê...
A sociedade em que vivemos é, em sua imensa maioria, composta pela canaille  e, o pior, é um tipo de canaille que não percebe a anomalia que impõe aos ambientes. 
A calma, a serenidade, os bons modos e a apreciação dos momentos de tranqüilidade estão desaparecendo.Tudo é frenético, sôfrego, nervoso, tenso. É preciso preencher o próprio vazio existencial, a própria mediocridade interior, a própria vileza moral com sensações diferentes a cada instante, com um "prurido" por novidades que lançam a mente em ondas sempre renovadas de ansiedade.
Olhar o celular sem parar é parte dessa neurose coletiva pelas "novidades" e "notícias".
Mesmo as crianças devem buscar, sem cessar, o divertimento, mesmo que esse consista em cuspir pedaços de guardanapo babado no rosto da própria mãe.
O lado mais irracional e sem pudor é visto como aceitável em uma sociedade que já não diferencia mais entre o que é mais elevado e o que é mais baixo, entre superior e inferior, entre certo e errado. 
Vivemos em um mundo doente e caindo aos pedaços.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Eleições: 2º Turno

Caros leitores,

Eu não sou alguém que nutre grandes simpatias pelo PSDB.
Para mim o PSDB está mais à esquerda do que deveria estar. É um partido de centro-esquerda e, portanto, com pontos ideológicos bastante divergentes de mim que sou um monarquista tradicionalista.
No entanto, tendo em vista o quadro atual do Brasil e a imprevisibilidade das eleições, recomendo vivamente o voto em Aécio Neves.
Não estou afirmando que o governo de Aécio Neves será um sonho, que ele fará mágica ou que mudará definitivamente o Brasil. Nada disso.
Meu voto e minha recomendação são contra as agendas imorais do PT, contra o apoio ao abortismo, contra o apoio ao gayzismo militante, contra o apoio dado pelo PT às ditaduras comunistas , contra a arrogância do sr. Luis Inácio Lula da Silva, que se jacta da própria obtusidade, contra a quadrilha composta por José Dirceu, Genoíno "et caterva" e contra o aparelhamento do Estado Brasileiro em prol de um grupo e de uma ideologia.
O PT é um partido afinado com o comunismo. Sempre foi e sempre será. Daí seu apoio incondicional a Cuba, ao governo de Evo Morales e ao chavismo venezuelano (que acaba de ser acusado pela ONU de prender, pelo menos, 3,3 mil pessoas desde o início dos protestos contra Nicolás Maduro, em fevereiro desse ano, por motivos políticos e de forma arbitrária).
Para quem se opõe às idéias comunistas ou à degeneração revolucionária, votar no PT, que propõe a completa subversão dos valores tradicionais, é o mesmo que voluntariar-se ao suicídio ideológico.
O voto nulo ou em branco, diante do atual quadro eleitoral, será benéfico a quem estiver em vantagem. Sendo assim, muito provavelmente, será benéfico ao PT que, segundo o jornal "O Estado de São Paulo" de 21 de outubro de 2014, aprovou a elevação dos gastos de campanha em R$ 40 milhões. Sim, 40 milhões de reais para reeleger a sra. Dilma Roussef, a mesma que foi vaiada incontáveis vezes e que viu o país pegar fogo em meio aos violentos protestos que tomaram conta das cidades em 2013.
O mesmo jornal também traz a notícia de que o governo petista conseguiu adiar as declarações do doleiro Alberto Youssef para três dias após as eleições. Em outras palavras, o governo deve ter muito a perder com tais declarações...
O grande problema de nosso país e de sua "democracia" é que quem decide as eleições não é quem lê jornal, mas sim quem limpa a bunda com ele.
Sendo assim, e crendo que meus fiéis leitores são pessoas de nível, espero que façamos a nossa parte.




Alianças com o mal

P. Arya li sua resposta a minha colocação.
Continuo achando você bem pouco otimista. Esse óbvio que você diz é muito sombrio. O buddhismo é uma forma de interser. Se as pessoas se unissem mais você teria um mundo mais fraterno.
Você poderia se unir com outros que pensam diferente de você e parar com idéias de ficar guerreando feito um Dom Quixote.
Fico boquiaberto quando você diz que é preciso combater as idéias alheias ou até prega repressão. A união é que é o grande lance. Fica a dica!


R. O otimismo é uma caricatura da esperança. Prefiro ter a pequena esperança, factível, de que meu trabalho desperte a mente de uns poucos do que ser "otimista" em relação a uma massa degenerada e acéfala.
Você está redondamente enganado em relação a alianças e uniões.
A bondade dos bons não desarma a maldade dos maus. Os maus lutam para acabar com os bons, e lutam até o fim, porque os odeiam. Portanto, a idéia de paz entre os bons e os maus é completamente equivocada e fantasiosa.
Não tente fazer um acordo de paz ou um discurso moral ao bandido que invade sua casa no meio da madrugada. Não tente inculcar idéias de paz, concórdia ou "interser" ao assaltante do farol. A única possibilidade de defesa de sua vida nesses casos é a reação rápida, fria e potencialmente letal. Essa é a linguagem que os maus compreendem. 
Se você quer paz, não a busque tentando entrar em concórdia com os adversários da ordem ou com os difusores da desordem. Busque, ao invés disso, promover a ordem. Uma vez promovida a ordem, a paz brotará de maneira natural. 
Não lute pela ordem, não a defenda, permita que ela seja massacrada, pisoteada, e a desordem brotará como um jorro pútrido. Isso é o que acontece todos os dias.
Quer um Dharma ortodoxo? Promova a ortodoxia, mas não seja tolo de tentar entrar em concórdia com quem é heterodoxo. Quer calma e paz? Promova a ordem. A paz é a tranquilidade da ordem e a ordem é a disposição dos seres segundo sua natureza, ou seja, de acordo com o objetivo para o qual tendem naturalmente. A natureza real dos seres é agir de acordo com o Dharma. Promova isso e obterá ordem, paz e calma. Faça o contrário e obterá perturbação, confusão, desordem e caos.
Os maus odeiam os bons na mesma medida que amam suas maldades. Eles odeiam a ordem porque amam a desordem. Odeiam os ensinamentos ortodoxos à medida que se regozijam na lama da heterodoxia.
Não há acordo, união ou concessão possível diante desse quadro.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A profecia do óbvio

P. Arya você aponta muitas coisas no mundo de hoje, coisas que às vezes são difíceis de perceber no dia-a-dia, no corre corre da vida.
Tenho a impressão de que vc é muito pessimista na maior parte do tempo e não consegue ver tantas coisas positivas nas pessoas.
Gostaria de ler em seu blog mais mensagens de paz e bem estar para ajudar as pessoas a terem uma vida mais serena e com maior bem estar. Acho que a proposta buddhista vai bem por aí. Talvez se você fosse assim mais positivo, teria maior crescimento sua religião.
Paz e bem para você!


R. Caro leitor,

Responderei à sua mensagem, cor de rosa e cheia de purpurinas douradas, com um trecho de Nelson Rodrigues, o "anjo pornográfico":

"No meio da crônica, escapou-me esta verdade translúcida, perfeita, eterna: 'Só os profetas enxergam o óbvio'. E desde então, não faço outra coisa senão promover o óbvio como um sabonete. O importante é ver o óbvio. Nada mais interessa. O novo, o nunca visto, é o óbvio."

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A Verdade sobre o aborto

Hoje li no jornal que uma operação policial prendeu 57 pessoas por aborto no RJ.
Um dos "médicos" envolvidos tem uma conta na Suíça com U$5 milhões.
Foram apreendidos R$555 mil reais em dinheiro, além de máquinas de sucção, carros etc.
A notícia toma meia página do caderno "Metrópole" do jornal "O Estado de São Paulo" e, quase ao final da notícia, é também informado o fato de que as mulheres não foram denunciadas no inquérito e a polícia solicitou para elas o "perdão judicial".
Pois bem.
A mensagem geral da notícia é a do horror dos "locais sem condições mínimas de higiene e salubridade, expondo a integridade física e a saúde das mulheres" e a malignidade dos "médicos", entre eles uma fulana que teria praticado 6.352 abortos.
O que me deixa realmente boquiaberto é a completa cegueira moral da sociedade em relação a esses casos.
Mais uma vez, como tende a acontecer no mundo contemporâneo, inaugura-se um tipo de maniqueísmo, um dualismo em que, de um lado, figuram santos, imaculados, bondosos e vitimados e, do outro, indivíduos malignos, soezes, enganadores etc.
Nesse caso concreto, as clínicas de aborto, com todo seu aparato, seriam demoníacos antros de perversidade, enquanto as mulheres, que as procuram para o louvável ato de matar fetos, seriam seres bondosos, ingênuos e imaculados, enganados pela perfídia do demônio que se manifesta nas clínicas.
O pedido de "perdão judicial" manifesta bem essa visão dualista.
Vemos esse mesmo maniqueísmo nas questões políticas. Os políticos são uns demônios pérfidos, vindos diretamente do inferno para atormentar o povo. O povo, em contraposição, é santo, bondoso, trabalhador, honestíssimo, moralíssimo, vitimado pelo governo etc.
O caso do aborto deve ser declarado com todas as letras para que ninguém se engane por romantismo barato.
Mulher que aborta é homicida. Só não mata com as próprias mãos por inabilidade. Então, é mandante do ato e também partícipe.
Mulheres: Se v.sas. abrirem as pernas e fizerem SEXO VAGINAL sem preservativo, correm o risco de engravidar, além de pegar AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis (Hepatite C, Sífilis etc.). É muito difícil compreender isso?
Se a sra. quer dar para qualquer um (QUALQUER UM MESMO, porque o homem que engravida uma mulher e depois permite ou estimula o aborto é um lixo humano, é qualquer um, é um bosta etc.), tenha em mente que é preciso encapar o órgão sexual do sr. 'qualquer um' para que um feto não tenha a infelicidade de habitar seu ventre e correr o risco de ser esquartejado por um fórceps ainda lá dentro. Não é possível que essa tão "complexa" lição seja tão difícil de ser entendida. Sendo assim, se a sra. quer ser imoral e sair fazendo sexo por aí com qualquer lixo, pelo menos assuma a responsabilidade MÍNIMA de fazer seu parceiro usar preservativo.
A grande realidade é que vivemos em uma sociedade que é habitada por gente cada dia mais imoral.
As pessoas não assumem responsabilidade alguma pelos próprios atos. Tudo é atribuído a causas externas, daí o crescimento exponencial de religiões que vivem culpando ao Diabo e aos demônios por toda merda que seus fiéis fazem, uma forma tosca de "aliviar" a consciência de quem não assume nada do que faz.
Uma determinada mulher é imoral, vai para o baile funk e faz uma verdadeira orgia, engravida, muitas vezes sem nem saber de quem, e, obviamente, não está nem aí para aquela vida que teve a infelicidade de começar em seu ventre. Não quer assumir, porque "não vai ter mais vida própria" se tiver que cuidar da criança ("vida própria" quer dizer sair dando por aí, ir aos bailes da vida, fumar baseado e cheirar pó com as amigas, beber até cair, virar a madrugada na rua etc.) Então, a solução é ir ao "médico" e mandar matar o próprio filho. Sim, matar o próprio filho é um jeito de poder continuar putanhando livremente.
Isso não é dito com todas as letras por aí porque é "feio" e "ofensivo". Bonito é ser vadia e matar o feto com uma bomba de sucção, arrancando-lhe os pedaços. Então, se arrumam milhares de desculpas furadas sobre a "situação social" e as "dificuldades" em se criar um filho em situação de pobreza. Tudo mentira e papo furado.
As merdas que procuram um abortista pagam de R$1000 a R$7.500 por um aborto. Ou seja, para matar e arrebentar elas dão um jeitinho e pagam. Não é com dinheiro produzido pelo Satanás que os abortistas ficam milionários. É com dinheiro das "pobres vítimas" que dão um jeito para pagar pelo assassinato dos filhos.
Se não têm condições para ter filhos, que os evitem. Não é meio óbvio? O governo distribui camisinha de graça para o povo meter à vontade. É difícil ir ao posto de saúde pegar?
Minha avó por parte de mãe era uma camponesa analfabeta. Meu avô, marido dela, era um lenhador. Viviam em um casebre dentro de uma fazenda cujo dono era o empregador do meu avô. Eles tiveram dez filhos. Todos experimentaram, em algum grau, o que é passar fome. No entanto, ninguém foi abortado e ninguém virou ladrão ou criminoso. Milagre? Não, não, só VERGONHA NA CARA.
Aliás, acho que o que anda faltando ao mundo é isso, vergonha na cara.
Hoje em dia o negócio é ter como "modelo" às personagens vagabundas cantadas pelos funkeiros e funkeiras. Aquelas que querem ter o "grelo" mamado, que só querem saber de "ostentação" ou que gostam de "pica" que tem "dona" ou ainda as que "na cama esculacham" etc.
A mulher que se expõe a uma clínica clandestina de abortos faz isso por sua livre, espontânea, IMORAL E CRIMINOSA VONTADE. Não é "vítima da sociedade", não foi "enganada" e nem é a coitadinha da vez. É mandante de assassinato, assassinato de quem não tem a mínima chance de se defender ou sequer de reclamar. Ela mata porque não quer assumir a responsabilidade pelos próprios atos, só isso. Todo o resto é balela, é papo furado de sociólogo de esquerda que quer teorizar sobre o nefando, numa tentativa pífia de torná-lo aparentemente menos nefando.

Nota:  Art. 5º, IV da Constituição Federal: é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; VI: é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgia; VIII: ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; IX: é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
Art.220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
Declaração Universal dos Direitos do Homem: 
Artigo 18°
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
Artigo 19°
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Questão de conduta

Cada dia mais, percebo que a sociedade não sabe com muita clareza o que é ter conduta adequada.
Sendo assim, partilho com os leitores alguns pontos que, a meu ver, são óbvios, mas que, infelizmente, parecem ser bastante misteriosos para a população em geral, inclusive para aquelas pessoas que deveriam zelar por um maior rigor pessoal, justamente por se julgar que tenham tido acesso a algum nível de educação e de cultura.
Aí vão:

- Se você prometeu alguma coisa para uma data, cumpra. Se não foi possível, NÃO ESPERE QUE LHE PROCUREM PARA PERGUNTAR O QUE HOUVE. Adiante-se, procure a pessoa e se explique. Tome o cuidado para não descumprir novamente sua palavra depois desse primeiro incidente. Ficar prometendo sem cumprir faz com que as pessoas parem de confiar em você.

- Se você marcou um horário, simplesmente respeite esse horário. Ao marcar para as 20:00, não quer dizer 20:15, 21:00 ou 19:30. Quer dizer, especificamente, 20:00.
Se você perceber que vai se atrasar, avise com alguma antecedência (se estiver em um local distante 40 minutos antes do horário marcado, calcule que é possível que vai se atrasar, contando o tempo que levará para chegar). Não ligue às 20:15 avisando que vai se atrasar para o horário das 20:00.
Uma das coisas mais desagradáveis que existe é aguardar pessoas retardatárias.
Da mesma forma, se for se adiantar demais (mais de meia-hora), ligue avisando e pergunte se é possível chegar um pouco mais cedo. Se não for possível, faça hora em algum lugar até dar o horário combinado. A pessoa não tem culpa se você se adiantou.

- Evite dizer para alguém que vai fazer alguma coisa se você não vai fazer em tempo hábil. Não diga que "tudo bem" para depois ir enrolando até cair no esquecimento. Isso é falta de consideração e mostra que você não é confiável.

- Não pergunte demais sobre as particularidades das pessoas. Se você não tem intimidade com alguém, não se meta no que ela trabalha, em quantos filhos tem, se mora no bairro x ou y, se frequenta o restaurante tal ou qual...Se você quiser, dê essas informações sobre si mesmo e espere que ela faça o mesmo. Mas, não force. Se ela não quiser lhe dar maiores informações ESPONTANEAMENTE, respeite.

- Até que haja autorização FORMAL, todo mundo é SR. e SRA. Só se permita usar "você" se a pessoa for sua amiga mesmo. Aqui cabe uma observação: Colega de trabalho não é amigo, superior hierárquico não é amigo, subordinado não é amigo, o balconista não é amigo, a garçonete não é amiga. Amigas são as pessoas que mantêm com você relações que vão além das funções executadas em ambientes comuns a ambos.

- Não visite alguém sem AVISAR. As pessoas podem não estar em casa, podem estar ocupadas com outras coisas ou, simplesmente, podem não estar querendo receber sua visita naquele momento. Ligue, mande um e-mail, uma mensagem, enfim, use os meios à sua disposição.

- Quando fizer visitas, não as alongue em demasia. As coisas boas, se são breves, são duplamente boas.

- Não force ninguém a fazer o que essa pessoa não quer. Se você acha o máximo fazer uma "festa surpresa", comunique isso aos seus amigos. Assim, se eles quiserem lhe agradar, farão uma festa desse tipo para você. No entanto, se a pessoa não gosta desse tipo de coisa ou se nunca manifestou gostar disso PUBLICAMENTE, não se arrisque a fazer ou forçar alguém a "gostar" da tal festa. É uma tortura para quem não gosta. A pessoa se sente violentada a fingir que gosta só para não ser grosseira e você sairá como uma amaríssima lembrança na vida dela.

- Respeite as convicções das pessoas. Não se meta a fazer gracinhas se alguém é vegetariano ou gosta de comer algo que você não gosta. Simplesmente feche sua linda boca e não faça comentários dietéticos à mesa.

- Controle seu histrionismo. Muita gente não aprecia risadas altas no ouvido, gritos, expressões exageradas de euforia ou palhaçada excessiva. Tenha bom senso.

- Se você não está em um debate ou em um local adequado para embates ideológicos (universidade, instituição religiosa, seminário etc.), não abra a boca para falar de religião, política e temas polêmicos. A chatice de quem faz isso é aliada à total falta de senso de utilidade. Você não vai convencer ninguém do seu ponto de vista debatendo em meio aos pedaços de bolo de aniversário e nem no meio de almoço de confraternização. O que você vai conseguir é ser visto como o "espalha roda".

- Não seja o Dr. Explicadinho, aquele que quer tudo explicado nos míííííínimos detalhes. Se a pessoa lhe narra uma notícia genérica, do tipo falando que alguém ficou doente nos EUA, não queira saber em que Estado foi, em que hospital a pessoa está internada, qual é o quadro dela após passar pela cirurgia, se a cirurgia era mesmo necessária etc. Se você se interessa tanto assim, busque depois pelas informações adicionais, mas não atormente alguém que só está dando uma notícia genérica e não lhe fazendo um relatório profissional.

- Controle sua ansiedade. Se você estiver perto de alguém que está executando algo, não pergunte a cada 3 segundos o que a pessoa está fazendo ou o que vai fazer. Isso quebra a concentração da pessoa. Espere um pouco e logo você saberá.

- Desestimule a fofoca. A fofoca é lamentável entre senhoras, entre homens é simplesmente ridículo.  Disque-me-disque, telefone sem fio, passar informações o tempo todo ou ficar ansioso por receber as "novidades" da vida alheia é um comportamento que revela profunda pobreza intelectual.

- Controle seu tom de voz. Se você está num restaurante, a mesa ao lado não precisa ouvir toda sua conversa. Muito menos o outro lado do salão. 

- Ao se sentar à mesa ou ao se encontrar com amigos, desligue o celular. É uma falta de educação terrível olhar para o celular enquanto come e/ou conversa.

- Tome cuidado com os temas que introduz em uma conversa. Você pode adorar colecionar dinossauros de plástico e classificá-los de acordo com as novas descobertas arqueológicas, mas nem todo mundo aprecia isso. Você pode ser um gênio do fliperama, mas há pessoas que não se interessam nem um pouco pelo tema.

- Não corrija as pessoas em público e nem fique insistindo se elas tropeçarem em alguma palavra. Se a pessoa fala "poblema", "probrema", "pobrema", "degrais", "menas", "foi uma perca" etc., seja elegante e finja que não ouviu.







Rito mágico x Rito budista

P. Arya,

Acho difícil separar um rito mágico de um rito religioso. As duas coisas são quase iguais.
No caso budista, como você faz essa diferenciação? Como dizer que um rito é supersticioso e mágico e o outro é religioso e ortodoxo?

Abraço!

R. Excelente pergunta.
Um rito supersticioso é aquele em que se perdeu o correto objetivo e o correto significado religioso, mesmo que revestido de elementos religiosos genuínos.
Por exemplo: Um monge que executa o Rito do Fogo Sagrado (Gomá), ainda que o execute de forma ritualisticamente  perfeita, querendo atingir finalidades materiais, trazer sorte, saúde, proteger pessoas de serem vítimas de roubos, assaltos etc., pratica um rito supersticioso. 
Isso é "magia", ou seja, é tentar controlar forças que supostamente dominariam os fenômenos desagradáveis, através da manipulação de objetos, palavras e visualizações.
O mago é supersticioso. Ele acredita que os objetos, os gestos e as palavras têm poderes de manipular a realidade invisível, de subjugar as forças da natureza ou de controlar espíritos etc., sendo que, na verdade, tudo isso é inútil.
Da mesma forma, quem se coloca diante do altar budista recitando mantras ou saudações (Namu Myoho Renguê Kyô, Namu Amida Butsu, Namu Daishi Henjô Kongô, Namu Dengyô Daishi Fukuju Kongô etc...) por um número determinado de vezes ou de horas, achando que isso vai trazer alguma solução objetiva para qualquer questão, está praticando magia, está realizando um rito supersticioso, sem nenhum efeito real e, pior, cometendo uma falta contra o Dharma.
O Ensinamento do Buda é uma prática diária, um trabalho de aperfeiçoamento pessoal, um esforço consigo mesmo, uma ascese no sentido de nos melhorarmos, de refinarmos nossa conduta moral, de melhorarmos a qualidade de nossos pensamentos, de nossas palavras e dos nossos atos. Não é um amontoado de rituais mágicos ou de salamaleques úteis para impormos nossa vontade egoísta.
Quando praticamos qualquer rito budista, temos que ter em mente que o objetivo de tais práticas é o de fortalecer as raízes do Dharma que já estão em nós e plantar novas sementes dhármicas, de maneira que, cada vez mais, estejamos firmes nos ensinamentos de Buda.
Mesmo com isso em mente, é preciso ter cuidado para não nos deixarmos levar pela tentação de magia. Se acharmos que, para fixar um determinado ensinamento, temos que recitar 3x um mantra, fazer 3 prostrações, acender 3 palitos de incenso e, depois, dar 3 voltas em volta de uma stupa, já estaremos caindo na magia...Não há uma fórmula mágica, fixa e infalível, para obtermos uma compreensão mais profunda dos ensinamentos. Cada pessoa é diferente e, o que realmente importa, é a sinceridade e o esforço da busca.
O Grande Mestre Zhiyi ensinou que, assim como todas as coisas são transitórias e condicionadas, também as formas do Dharma são transitórias e condicionadas. Cabe aos intérpretes e aos exegetas adaptar tais formas para que o Ensinamento de Buda se atualize e faça sentido para o tempo e o lugar em que é pregado, sem apegar-se em demasia aos detalhes das formas transmitidas.
Em outras palavras, em vez de se preocupar em comer com palitinhos, adorar a imagem X em vez da imagem Y, dar 3 voltas em sentido horário, fazer a prostração no sentido x-y, pegar o anel do kasaya com o dedinho ou recitar em chinês, o importante mesmo é fazer com que a MENSAGEM do Dharma chegue às pessoas de maneira que faça sentido para o tempo em que elas vivem e para os costumes do lugar. Toda a preocupação excessiva com as formas sempre acaba em superstição e magia...


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O grande esvaziamento

Chamo de "grande esvaziamento" ao fenômeno de esvaziamento religioso-doutrinário do Budismo, retirando sua seiva vital e conservando-lhe apenas a casca exterior.
Imagino-o como algo semelhante a empalhar um animal. O animal está morto, nele não há sangue, não bate mais o coração, não respira, não tem vitalidade, está inerte...Então, preenche-se-lhe o corpo com substâncias artificiais, colocam-se enchimentos inertes nas cavidades, se detém o processo de decomposição dos tecidos externos e, dessa maneira, o animal se transforma em um enfeite de mau gosto.
No caso do Budismo não é difícil observar isso.
O que se tem e se pratica como "budismo" hoje em dia, de maneira geral, é uma casca de costumes e superstições. Não há mais o elemento genuinamente religioso, não há mais comprometimento ideológico, não há o envolvimento integral com a mensagem, com o espírito do Dharma. Acabou-se o desejo de vivenciar, de agir de acordo com a mensagem, de corporificar os ensinamentos dos sutras. O que sobrou é a conservação, deficiente e, muitas vezes, de mau gosto, das aparências, das superficialidades, de costumes populares e de instituições mecanizadas, engessadas, preocupadas em se retro-alimentar, sem um objetivo religioso genuíno definido.
No caso do Budismo, chamo de 'objetivo religioso genuíno' a busca pela Iluminação, o acúmulo de Sabedoria, a manifestação clara e inequívoca de profunda modificação pessoal como fruto da prática do Dharma.
Não se trata de raspar a cabeça, vestir mantos ou aparentar cara de sábio. Se trata de uma reforma completa da pessoa, a adesão firme aos preceitos, uma moralidade e uma ideologia que gravitam em torno do eixo Dharma e anti-Dharma. Obviamente incluo aí o acréscimo de erudição relativa ao Dharma, que possibilita, cada vez mais, uma opção consciente pelo que é do Dharma e uma oposição decidida contra o anti-Dharma.
A grande massa de instituições budistas de hoje não oferece qualquer objetivo religioso genuíno, tratando, apenas, de oferecer cargos, títulos, posições ou rituais para objetivos muito diversos de buscar a Iluminação ou transcender as próprias limitações em busca de transcendência.
Em países como o Japão, a completa ausência de qualquer identificação com o Budismo na vida das pessoas é algo impressionante. Os templos funcionam apenas como locais onde se busca por graças, favores, proteções ou onde se vai para cumprir uma obrigação social. A mensagem religiosa mesmo, a idéia de que a religião influencia no pensamento, na ação e que deve ser mesmo o eixo em torno do qual gravitam preferências, idéias, posicionamentos etc., simplesmente não existe. Em outras palavras, para o japonês o Budismo não existe. Só existe como uma formalidade, como ritos que garantem coisas materiais ou o livram de infortúnios e dissabores. Não como ideologia, não como modus vivendi, não como algo que realmente faça diferença em sua visão de mundo e escala de valores.
O indivíduo faz meditação sentada, recita o nembutsu ou reza para Amaterasu com os mesmos objetivos, ou seja, obter sorte e proteção. Para ele, sacudir o guizo pendurado na porta do santuário xintoísta, fazer uma reverência na frente da igreja de São Paulo Miki e seus companheiros mártires ou acender incenso em um templo budista, jogando umas moedas na caixa de ofertas depois, é a mesma coisa. Tudo isso "dá sorte"...
Para grande parte dos taiwaneses é algo bem parecido. O sujeito tem um bar onde vende carne e bebidas alcoólicas. Ao mesmo tempo, em cima do balcão, há imagens de Avalokitesvara, Amitabha, Maitreya e adesivos com a invocação de Amitabha. Quando ele vai ao templo, veste sua túnica e pede proteção, saúde e prosperidade. Mas, para ele, em seu limitadíssimo arcabouço mental, não há nada de contraditório, de profundamente hipócrita, de quase demoníaco...
Nem os sacerdotes nem os fiéis percebem o esvaziamento porque, para eles, tudo está "normal". Nasceram em um ambiente assim, aprenderam a agir assim, viam seus pais e avós mergulhados na mais profunda ignorância em relação ao Dharma, tudo não passando de um amontoado de idéias confusas e sem relação clara entre si.
No caso dos "budistas" brasileiros, o grande esvaziamento é também ocasião para se utilizar um novo "recheio" exótico. Não sendo conhecedores do Dharma, não buscando estudar os sutras, não se esforçando para realmente compreender a mensagem religiosa e filosófica do Budismo, adotam parte das formas exteriores que lhes são transmitidas pelos asiáticos, inclusive as mais estúpidas superstições, e, onde sentem alguma deficiência ideológica, a preenchem com as mais variadas, antagônicas e descabeladas doutrinas, de acordo com o próprio gosto, não importando o quão anti-Dharma elas possam ser.
Diante desse quadro se explicam os "budistas comunistas", "budistas psicologistas", "budistas abortistas", "budistas feministas", "budistas sexistas", "budistas hippies", "budistas Foucault", "budistas New Age", "budistas teosofistas", "budistas maconheiros", "budistas etílicos", "budistas perenialistas", "budistas kung fu", "budistas ninja", "budistas USP" e assim por diante.
A maioria mistura alguns desses recheios em seu boneco oco de "budismo", preenchendo-o na proporção que acham mais adequada aos próprios pendores.
Essa mistura também se reflete na tosca adaptação das formas exteriores. Com maiores dificuldades que os asiáticos para conservarem as formas cerimoniais e mesmo dos objetos de prática, fazem uma emulação grotesca, mulamba e bizarra das formas que receberam. Se não têm, por exemplo, uma estátua digna de Buda, metem no altar qualquer coisa, uma boneca de brinquedo com um pano enrolado, por exemplo, para lhe fazer as vezes. Se não têm um incensário, usam um penico ou uma escarradeira que estiver à mão.
Isso reflete, exatamente, esse estado de espírito de esvaziamento, de 'tanto faz como tanto fez', de brincar de religião e de substituir aquilo que não se tem com facilidade por algo que esteja ali, ao alcance imediato.
O budista asiático adora um animal empalhado. O brasileiro, um boneco de plástico que imita o animal empalhado.
Eu prefiro continuar com o Leão dos Shakya, bem vivo e saudável, a orientar minha vida.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Budista Tradicionalista

P. Bom dia Arya Dharmananda!

Por gentileza, o sr. poderia explicar, de forma bem geral e didática, como podemos definir um budista tradicionalista?
Pergunto não só no aspecto da prática budista em si, o que o sr. deixa bem claro em todos os seus textos doutrinários, mas sim na postura, no modo de se relacionar com os outros e por aí vai.

Muito obrigado!

R. Podemos dizer que o budista tradicionalista é alguém que:

- Conhece bem o nível de decadência, de heresia, de caos, de imoralidade e de desordem ideológica promovidos pelas instituições pseudo-budistas e, em contraposição, conhece o que é realmente o Dharma, com sua ordem, sua lógica, sua beleza, sua moralidade e seus métodos.

- Ama o Dharma e a ordem harmônica à qual ele conduz livrando o homem das trevas da ignorância e revelando a verdadeira natureza da realidade.

- Odeia o caos, as mentiras, as desordens e a decadência aos quais o anti-Dharma conduz.

- Baseado nos ensinamentos do Sutra Mahayana do Nirvana, ele faz do seu amor pelo Dharma e do seu ódio pelo anti-Dharma, um eixo em torno do qual giram seus ideais, seus gostos, suas atividades e, sobretudo, sua prática.

O budista tradicionalista não participa de atividades heréticas,  não faz concessões ideológicas e não se dobra diante de heréticos ou de suas doutrinas. Ao contrário disso, ele repreende e denuncia os erros desmascarando-os de maneira integral, desmascarando suas manifestações, mesmo as que aparentem inocência ou insignificância.
Por sua fidelidade aos ensinamentos, e como está previsto no Sutra do Lótus, é muitas vezes atacado, desprezado e ridicularizado, no entanto, mantém-se firme, de pé entre as ruínas de um mundo decadente.

Declaração sobre aquecimento global, ecologia etc.

Ao contrário da imensa maioria das instituições budistas anti-tradicionais, a THIRB não apóia, não subscreve e não divulga fantasias esquerdistas com finalidades políticas ocultas.
Justamente por conta disso, cabe esclarecer que:

1) Nós não endossamos a farsa do “aquecimento global”.
O “aquecimento global” é um mito sem embasamento científico. Não passa de estratégia utilizada para alarmar a opinião pública e pressionar países economicamente desenvolvidos a reduzirem sua produção tecnológica e industrial.
“Não há evidência científica convincente de que a liberação humana de dióxido de carbono, metano ou outros gases-estufa está causando, ou será causa num futuro próximo, de aquecimento catastrófico da atmosfera da Terá e desestabilização do clima da Terra.”
Essa afirmação foi assinada por nada menos que 31.478 cientistas norte-americanos.
Os catastrofistas deveriam ler a “Declaração de Leipzig”, a qual denominou os drásticos controles climáticos  de “advertências doentes, sem o devido suporte científico”
Também há  o “Apelo de Heildelberg, assinado por 4000 cientistas, dentre os quais 72 ganhadores do Prêmio Nobel em suas áreas de pesquisa.
No Brasil, há cientistas renomados que contestam essa instrumentalização de uma pseudo-ciência patrocinada por interesses escusos.
Um deles, o Professor Luiz Carlos Baldicero Molion, formado em Física pela USP, com doutorado em Meteorologia pela Universidade de Wisconsin e pós-doutorado na Inglaterra, foi diretor e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e leciona atualmente na Universidade Federal de Alagoas, em Maceió, onde também dirige o Instituto de Ciências Atmosféricas (ICAT), simplesmente destruiu a tentativa de “confirmação científica do aquecimento global” feita por um programa de televisão.



2) Nós fazemos uma clara diferença entre vegetarianismo ético e ecoterrorismo.
Há uma imensa diferença entre vegetarianismo ético e o ecoterrorismo que tenta, de forma irracional, instrumentalizar o vegetarianismo e arregimentar grupos fanáticos para adotarem uma ideologia esquerdista em bloco.
Já há, até mesmo, os que dizem ser “indissociável” o pensamento esquerdista do vegetarianismo...E esses, obviamente, são aqueles promotores da imagem do vegetariano como um tipo de paspalho meio hippie, que anda com roupas sujas, mal composto, barba por fazer, indisciplinado, apoiador do consumo de maconha e outras drogas...Desgraçadamente, os meios vegetarianos estão cheios de representantes dessa espécie que, inclusive, fazem o “favor” de afastar pessoas com bom senso e racionalidade de uma possível adesão à dieta vegetariana.
Obviamente, a esquerda se utiliza habilmente desses indivíduos para promover idéias que prejudiquem o agro-negócio e,  também, faz de tudo para que se misture terminologicamente  a agricultura com a pecuária de corte...
O crescimento do agro-negócio tem a ver com o implemento de melhorias no plantio e na produção de alimentos. Se tivéssemos um agro-negócio mais bem desenvolvido também teríamos mais opções alimentares sem matança...É uma ilusão achar que esse primitivismo no campo, advogado pelos comunistas verdes, é benéfico à causa dos animais e dos vegetarianos. Os silvícolas são o maior exemplo disso. Não dispõem de tecnologia para a produção de alimentos e, portanto, vivem de uma insípida agricultura primitiva e da caça de animais...Da mesma forma, na Índia pré-ariana, os drávidas tinham muito menos tecnologia agrícola, plantavam muito menos e, como conseqüência, matavam muito mais...Achar que o quilombola, o índio e o sem-terra "respeita" a vida dos animais é pura ilusão. É justamente o contrário. Eles matam o tempo todo e, como não têm tecnologia para produção, optam pelo "mais fácil", ou seja, a matança. Diversos casos de invasões de terra seguidos de matança de animais para o “churrasco” do MST têm sido noticiados pela mídia.
A expansão do vegetarianismo passa pela melhoria na produção e na qualidade de alimentos não cárneos. Justamente o contrário do que dizem os comunistas verdes e ecoterroristas.
O que devemos nos preocupar em apoiar e estimular é o direcionamento da produção de grãos, vegetais e derivados para o consumo humano. Se houvesse um implemento nesse sentido e se, através disso, os lucros obtidos da venda dos alimentos vegetais dobrasse ou  triplicasse através de uma maior demanda, haveria estímulo econômico crescente para a diminuição dos rebanhos de abate, diminuição da "pastificação" (o que aumentaria as áreas úteis de plantio) e uma indústria cada vez mais focada na produção de alimentos vegetarianos.
O ideal é que se chegasse ao ponto de equilíbrio, em que a matança de animais se tornasse desnecessária para a economia devido ao alto nível de satisfação dos consumidores em relação aos alimentos vegetarianos.
Em outras palavras, é muito mais fácil ser vegetariano em um país rico e desenvolvido, onde há prateleiras com 30 ou 40 opções para substituir a carne, do que numa titica de um país não industrializado, onde as pessoas ou comem carne ou comem mandioca...


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Recomendações eleitorais aos budistas

Budistas!
Votar em quem apóia o aborto é apoiar a quebra do Primeiro Grande Preceito.
Votar em quem apóia a liberação das drogas é apoiar a quebra do Quinto Grande Preceito.
Votar em quem apóia campanhas sexistas, movimentos que promovem a imoralidade, o despudor, a exibição pública de ato ou preferência sexual etc., é apoiar a quebra do Terceiro Grande Preceito.
Quem apóia a quebra do Preceito, quebra-o também.
Os sutras dizem: "encorajar outros a matar, matar por meios hábeis, louvar a matança", "negociar com intoxicantes, encorajar outros a fazê-lo...não criar causas, condições, métodos ou karma para a venda e consumo de qualquer intoxicante que seja, pois os intoxicantes são causas e condições para todos os tipos de ofensa" e "engajar-se em atos licenciosos ou encorajar outros a fazê-lo".
Ao dar seu voto a qualquer candidato ou candidata que apóia essas condutas, você estará TRAINDO o DHARMA e criando um karma negativo gigantesco. Quem vota em quem aprova essas ações está encorajando tais ações e, portanto, quebrando os preceitos.
Não se deixe enganar. Não promova uma sociedade ainda pior e não faça com que o karma negativo da nação aumente e venha bater em sua porta.
A lei do karma é impiedosa. Contra ela não há recurso possível. 
Ao entrar na cabine de votação, PENSE BEM NO QUE VAI FAZER. Ao apertar as teclas, sua ação está completa e as sementes kármicas foram lançadas. O amadurecimento delas é só questão de tempo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Discurso de ódio x Liberdade de expressão

"Discurso de ódio" é mais um chavão da esquerda que tem chic e elegância.
Na real não quer dizer coisa nenhuma.
O ódio, por si mesmo, não é "discursável", tendo em vista que as sensações, em si, não são expressas por palavras. As palavras descrevem a sensação apenas de maneira aproximativa, tentando trazer à memória dos outros uma representação de sensação semelhante.
Tomás de Aquino define o ódio como uma forma dinâmica de tristeza. Assim como posso descrever os efeitos da tristeza e/ou agir tristemente, também posso descrever os efeitos do ódio e/ou agir de forma irada, odienta.
Exemplo: Se tenho dor, descrevo a dor como "pulsante", "latejante", "cortante", como se fosse um "aperto", "fina", "ardida" etc., tentando fazer com que o outro, utilizando a memória, tenha uma representação mental aproximada do que estou tentando dizer. Não há como representar a sensação com exatidão. Também é impossível representar sentimentos dessa forma. Se sinto amor, descrevo-o como "grande", "enorme", "amplo", "sufocante" etc., mas não consigo ter, propriamente, um "discurso de amor".
Nem uma declaração de amor é, propriamente, um discurso de amor. É uma elegia, em que se elogiam as virtudes e qualidades do ser amado, dando os motivos do sentimento que tal ser desperta no apaixonado declarante.
Posso descrever os efeitos do amor nas minhas ações, mas não posso despertar em outros o amor que sinto através dessa mera descrição. Da mesma forma, não consigo incutir no outro a dor que sinto ou fazer com que ele compreenda, de maneira completa, a extensão e as particularidades dessa dor.
Se a esquerdinha estudasse um pouquinho mais de Filosofia Escolástica, não diria essas baboseiras que vive dizendo. Se o zé-povinho fosse um pouquinho menos ignorante, não engoliria, todo santo dia, esse monte de merda.
Ter ódio é sentir aversão e raiva de algo. Essa aversão pode ser justificada por argumentos, mas não é uma causa, ao contrário, é o efeito.
Exemplo: Tenho ódio de alguém como efeito de uma ação ou omissão, real ou atribuída, mas não tenho ódio anterior à causa. O ódio é efeito, não causa.
Um "discurso de ódio" seria algo bastante interessante e quebraria todas as leis da lógica mais elementar. Em vez de descrever as causas pelas quais alguém odeia (que seria um discurso descritivo de ações ou omissões moralmente odiáveis dentro de um determinado sistema, portanto um discurso moral e não um "discurso de ódio"), o discurso principiaria por descrever a sensação do ódio em toda sua extensão, mostrando que as causas vêm depois do efeito...
Em outras palavras: Eu odeio porque odeio. Odeio suas ações porque são suas, e não por elas serem, em si, más e condenáveis. Odeio você independentemente de suas ações e odeio suas ações pelo ódio que sinto de você...
Isso seria, simplesmente, um raciocínio circular, sem sentido algum...
A expressão "discurso de ódio", por mais estapafúrdia e sem definição que seja, pegou e virou o chavão da nova censura, a censura do "politicamente correto".
Quando os movimentos "engagé" falam o que querem, aí é "liberdade de expressão". Quando alguém discorda, aí é "discurso de ódio".
Se você concorda com todas as pautas e agendas políticas desses movimentos, você é livre para expressar seus sentimentos, seus pensamentos e tem "liberdade de consciência" mesmo que seja para enfiar o crucifixo no ânus em praça pública (como fizeram na tal "Marcha das Vadias"). Se você não concorda e tenta raciocinar sobre as causas pelas quais não concorda, aí é "discurso de ódio" e você não tem mais o direito de se expressar.
Se um evangélico, por questão de crença religiosa, condena a prática homossexual, é discurso de ódio. Se um partícipe de um movimento gayzista diz que vai "pegar em armas" para "matar esses desgraçados" (os evangélicos), aí é liberdade de expressão.
Mulheres nuas e pintadas podem interromper cultos religiosos aos berros, podem tentar atacar o papa, podem ficar nuas e histéricas no meio da Praça de São Pedro ou podem acender velas na Av. Paulista para pedir a liberação do aborto. Tudo isso é pura, puríssima, liberdade de expressão. Invadir a catedral de Notre Dame de Paris berrando pelada é liberdade de expressão. Fazer panfletagem pedindo aos católicos que se manifestem contra o aborto é discurso de ódio e merece pedradas e achaques (como aconteceu recentemente em Curitiba).
Se um pastor evangélico, baseado no livro sagrado de sua religião, disser que a relação sexual entre dois homens ou duas mulheres é pecado, é "discurso de ódio". Se um gayzista disser que o papa é um "genocida em potencial", aí é liberdade de expressão.
Já li várias vezes em redes sociais o novo slogan da mordaça: Discurso de ódio não é liberdade de expressão.
Obviamente que ninguém define o que é, propriamente, "discurso de ódio" ou no que ele difere da livre expressão do próprio pensamento ou da liberdade de consciência, prática e expressão religiosa. No entanto, esse chavão é repetido várias e várias vezes, como uma fórmula para justificar o pretenso direito de impedir o incômodo discordante de falar e se expressar.
Agora, em vez de simplesmente mandar o outro calar a boca porque eu não quero que ele fale, basta jogar o tal do "discurso de ódio" na jogada e isso te livra automaticamente de ser considerado um censurador da consciência e da palavra alheia. Pelo contrário. Como você "ama demais" a liberdade, vai impedir seus inimigos de a terem também...
Curioso como isso lembra o esquema de politização e padronização da "novilíngua" do clássico 1984.
"Inconsciência é ortodoxia".
Vamos praticar o "crimideter" e impedir as "crimidéias" para não virarmos "impessoas".
Repitam todos: "Discurso de ódio, discurso de ódio, discurso de ódio..."

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Homofobia

Os jornais relataram que um dos candidatos à presidência da República, o sr. Levi Fidelix, teve um comportamento considerado "homofóbico" e que, inclusive, alguns grupos querem a cassação de sua candidatura e mesmo seu aprisionamento graças a algumas declarações dadas em um debate televisionado.
O tema 'homofobia', bem como a utilização desse termo, são bastante recorrentes nos dias de hoje. 
A acusação de 'homofobia' ou o pedido de criminalização da homofobia fazem parte da pauta de discussões da sociedade contemporânea.
Parece-me também que entre as instituições ditas budistas há grande preocupação em não mostrar-se "homofóbico" e de ter (e demonstrar enfaticamente) opiniões de acordo com o "politicamente correto".
Tendo em vista o relevo que o tema ganha hodiernamente, resolvi estudar um pouco sobre o assunto e compartilhar com os leitores algumas constatações e reflexões interessantes advindas de minhas pesquisas.
Primeiro, fui pesquisar sobre a definição de fobia.
Dos diversos manuais e dicionários de psiquiatria que consultei, a definição é sempre bem parecida:


Fobia: Reação de evitação; transtorno fóbico, neurose fóbica; histeria de ansiedade. Fobia é um tipo de transtorno de ansiedade que consiste em medo excessivo, irracional ou imoderado, sugerido pela presença ou pela antecipação de um objeto ou de uma situação específica. Exposição ao estímulo fóbico quase invariavelmente provoca uma resposta de ansiedade imediata, que pode aumentar para um ataque de pânico. A fobia é mais que medo, entretanto, pois o objeto ou a situação temidos devem ser evitados ou podem ser tolerados apenas com sofrimento marcante, devido à resposta de ansiedade ou ao ataque de pânico que ela provoca. (Campbell, Robert J. Psychiatric Dictionary, 2004)

A fobia é um transtorno de ansiedade.
Transtorno, de acordo com os mesmos dicionários e manuais, é doença, ou seja, um estado alterado de funcionamento do psiquismo que causa sofrimento.
A ansiedade é definida como "Um afeto que difere de outros afetos em suas características desprazerosas específicas. Ansiedade consiste em um lado somático, fisiológico (respiração perturbada, atividade cardíaca aumentada, alterações vasomotoras, distúrbios musculoesqueléticos, como tremor ou paralisia, sudorese aumentada, etc.), e em um lado psicológico. Este inclui "uma atitude interior consciente específica e um estado de sentimento peculiar caracterizado por (1) consciência física e mentalmente dolorosa de ser impotente para fazer qualquer coisa em relação a um problema pessoal; (2) pressentimento de um perigo iminente e quase inevitável; (3) alerta tenso e fisicamente exaustivo, como se diante de uma emergência; (4) auto-absorção apreensiva que interfere na solução efetiva e vantajosa de problemas da realidade; e (5) dúvida insolúvel com relação à natureza do mal ameaçador, à probabilidade do aparecimento real da ameaça, ao melhor meio objetivo de reduzir ou remover o mal à própria capacidade subejtiva de fazer uso efetivo daqueles meios se e quando a emergência surgir" (Piotrowski, Z. Perceptanalysis, 1957)

O primeiro ponto então a se destacar é: Se é "fobia" é um estado mórbido, uma doença e, portanto, não é algo voluntário ou desejado por quem é acometido pela mesma. A mim, isso parece bastante lógico e claro.
Passando à pesquisa do termo 'homofobia' propriamente, é interessante notar como as definições vão mudando à medida que avançam as agendas políticas dos movimentos gayzistas.
As definições mais antigas, fiéis ao princípio de que se trata de uma doença, ou seja, de um transtorno de ansiedade,  traz como definição:  "Medo irracional e persistente de homossexualidade, frequentemente manifestado em reações de raiva extrema para com homossexuais. Ver: Síndrome do Exorcista"
Na entrada "Síndrome do Exorcista" encontramos: 
"Tipo de homofobia expressa em ataques físicos ou psicológicos, ou ambos, a homossexuais. Um exemplo é o espancador de gays que aceita o assédio de um homossexual, faz sexo com ele e, então, o espanca ou até o mata; tal comportamento é frequentemente interpretado como sendo a forma do espancador livrar-se de (i.e. exorcizar) a culpa por sua própria bissexualidade ou homossexualidade latente."

Em publicações mais modernas, as definições vão se tornando cada vez menos claras. Uma das que achei mais genéricas diz: "Atitudes negativas para com os homossexuais e a homossexualidade, refletindo medos e reações conscientes e inconscientes."
Obviamente, não há nenhuma definição clara do que seja "atitude negativa" e nem como essa atitude negativa reflete medo e reações conscientes e inconscientes.
Se eu não simpatizo com um homossexual é uma "atitude negativa"? Sim.  Mas, e se minha antipatia não tem absolutamente nada a ver com a sexualidade dele? Ele poderá me taxar de "homofóbico"? Mas, se fobia é uma das manifestações do amplo espectro do transtorno de ansiedade, onde é que ela se manifesta nessa minha antipatia? E qual a relação de minha "atitude negativa" em relação a um indivíduo determinado com uma fobia específica?
Se uma determinada crença religiosa condena a prática homossexual, mesmo que baseada em pressupostos completamente diversos de "medo e reações conscientes e inconscientes" (como a crença de que o sexo só é lícito para a procriação e que, como a relacão sexual entre indivíduos do mesmo gênero impossibilita a reprodução, obviamente está incluído nas espécies de sexo ilícito), são crenças religiosas "homofóbicas"? Onde é que a fobia entra aí? Os legisladores religiosos tinham medo excessivo, irracional ou imoderado dos homossexuais, caracterizado por uma reação de ansiedade e pânico? E todos os religiosos que adotam tais condutas também têm?
Quando falamos em "criminalizar a homofobia" estamos falando em criminalizar uma doença? Criminalizar um tipo de transtorno de ansiedade? Ou estamos falando em criminalizar todo e qualquer tipo de comportamento considerado "negativo" em relação ao indivíduo homossexual, desde que ele, SUBJETIVAMENTE, se considere vítima de um comportamento negativo e ao qual ele atribui, ainda que erroneamente,  uma causa ligada à sua orientação sexual?
No primeiro caso, criminalizar uma doença seria um completo absurdo. Aquele que sofre de um transtorno mental e age impulsionado por tal transtorno, de maneira irresistível, é inimputável. Isso é verdade para todo e qualquer tipo de crime, tanto é que existem os manicômios judiciais, onde os inimputáveis que representam risco real para a sociedade permanecem internados. No entanto, ninguém vai parar no manicômio por ter ataque de pânico, crise de ansiedade ou se sentir mal e irritado em decorrência de um transtorno psiquiátrico. Para isso existe psicoterapia e remédio. Se é realmente homofobia, é preciso ser tratado como tal, ou seja, doença, não crime.
No segundo caso, onde toda e qualquer atitude negativa relativa ao indivíduo homossexual ou à prática homossexual (mesmo as baseadas em pressupostos filosóficos e/ou teológicos) é taxada de "criminosa", criaríamos uma verdadeira "caça às bruxas", impondo uma terrível censura à liberdade de consciência, expressão e crença, onde o homossexual seria visto como indivíduo inatacável, protegido por uma lei absurda que o isenta de ser objeto de qualquer mínima antipatia, divergência ou oposição, tendo em vista que qualquer ação pode ser taxada como "comportamento negativo" e, subjetivamente, atribuída ao preconceito relativo à homossexualidade ou a uma quimérica "homofobia".
Os debates que eu já assisti sobre o tema se mostram fiéis a grande parte do que acontece hoje em nosso mundo. Desprovidos de qualquer profundidade, eivados de "palavras de efeito", sentimentalismo barato e ausência de clareza e definição.
Pedir a prisão de alguém por que esse alguém disse o que pensa? Isso é censura brava. Já pediram a minha prisão também e sei bem o quanto isso é revoltante.
Criminalizar algo para o qual os defensores da criminalização não oferecem definição clara. Utilizam uma palavra ao léu, sem se preocupar muito com o que ela significa ou, propositadamente, a utilizando de maneira completamente alheia ao seu real significado, esvaziando seu conteúdo e a preenchendo com suas próprias idéias, elásticas, mutantes e intercambiáveis...
Lamentável mundo onde a ignorância impera.