quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Por que o Budismo e o Comunismo são incompatíveis?

1) O Budismo é hierárquico e anti-igualitário. A Comunidade Budista (Sangha) é dividida em 4 níveis: Bhikshus, Bhikshunis, Upasakas e Upasikas (Monges, monjas, leigos e leigas).
Dentro das comunidades de monges e monjas há graus superiores e inferiores, sendo devida obediência e respeito dos inferiores aos superiores.
Além disso, há a hierarquia nos níveis de realização do Nobre Caminho (Arya Marga, em 4 níveis - desde o Srotapanna até o Arhat) e hierarquia entre os ensinamentos : Hinayana, Hinaya-Mahayana, Mahayana Provisório, Mahayana Superior e Mahayana Definitivo (essa divisão pode ser encontrada, de forma abreviada, como 藏,通,別, 圓).
Os sutras mostram que, em uma sociedade guiada pelo Dharma, a distinção entre os superiores e os inferiores é algo desejável e natural.
Em contrário, o comunismo é igualitário e anti-natural, tentando reduzir todas as desigualdades naturais a mero produto social.
O comunismo odeia toda hierarquia e toda distinção entre os inferiores e os superiores, não reconhecendo, sequer, a existência de tal divisão.

2) O Budismo é absolutista em suas definições. Os Três Tesouros são Absolutos, ou seja, o Buda como Mestre Supremo de Homens e Deuses, o Dharma como a Suprema Doutrina e a Sangha como a Suprema Comunidade.
Budista é aquele que se refugia no Buda como Mestre Supremo, no Dharma como Doutrina Suprema e na Sangha como Comunidade Suprema.
Budista é aquele que adota a Moralidade Budista Básica contida nos 5 Preceitos: Não Matar, Não Roubar, Não Praticar Sexo Ilícito, Não Mentir, Não se Intoxicar.
Esses preceitos são UNIVERSAIS e comuns a TODO O BUDISMO.
O Budismo aceita como VERDADES ABSOLUTAS: A TRANSITORIEDADE,  O SOFRIMENTO, A INSUBSTANCIALIDADE DE TODOS OS FENÔMENOS E A ILUMINAÇÃO.
Todos os fenômenos são transitórios, todos os fenômenos são permeados de sofrimento, todos os fenômenos são insubstanciais e a Realidade Absoluta é a Iluminação. Anitya, Duhkha, Anatman e Nirvana.
Em contrário, o comunismo é relativista e desprovido de moralidade objetiva.
Tudo no comunismo gira em torno da "revolução" e da "luta de classes", tendo como objetivo a apropriação do "capital de produção" pela coletividade.
Para o comunismo, é bom aquilo que atende aos objetivos da revolução e mau aquilo que é contra-revolucionário, independentemente da objetividade dos atos em si.
O comunismo afirma que a religião é o "ópio do povo" (Marx) e submete toda a existência a uma ideologia materialista, que reduz todas as relações e fenômenos da vida e da sociedade à mera interpretação econômica.
O comunismo é materialista e, em muitas de suas correntes, mecanicista e determinista, negando ao ser humano a liberdade de decisão.

3) O Budismo ensina a doutrina do Karma.
Tudo o que fazemos tem consequências. Somos responsáveis pelos nossos atos e somos responsáveis também pelos resultados que eles produzem.
Em contrário, o comunismo responsabiliza o capitalismo, o liberalismo ou o fascismo por todos os males sobre a face da Terra. Reduz as responsabilidades do homem diante dos resultados de suas ações, atribuindo quaisquer frutos negativos à "desigualdade social", à "má distribuição de renda", ao governo, ao sistema político etc.

4) O Budismo respeita a propriedade privada.
Os preceitos morais budistas são claros em condenar o roubo, o furto e qualquer subtração de coisa alheia sem o consentimento do legítimo proprietário.
O Sutra Mahayana da Rede de Brahma ensina que não se deve subtrair nem uma agulha ou uma folha de grama. Não se pode subtrair nem dos fantasmas de um cemitério abandonado.
Em contrário, o comunismo ensina a invasão, a subtração de bens móveis e imóveis alheios. Tem como "legítima" toda ação que arranque do legítimo proprietário seu DIREITO de posse, pois não reconhece a propriedade privada e prega que os bens devem ser coletivizados e controlados pelo Estado Plenipotenciário.

5) O Budismo ensina a superioridade do espiritual sobre o material.
Os sutras mostram que os monges e as monjas, seguindo o caminho de renúncia, são superiores a quaisquer representantes dos poderes seculares.
O Sutra do Lótus ensina que os ascetas não devem buscar a proximidade com reis ou príncipes e que não devem se envolver em demasia com assuntos de Estado. Também não devem demonstrar excessivo respeito ou subserviência a eles.
O asceta deve pregar de um assento mais elevado que a audiência, seja quem for que esteja presente nela. Deve estar sentado e cercado de sinais de respeitabilidade. Não é obrigado a se levantar para saudar nem o Imperador (essa era a realidade na China Imperial), só se levantando para um monge mais velho e mais venerável.
O asceta não prega para alguém que esteja sentado enquanto ele está de pé. Não prega para alguém que esteja calçado diante dele (isso era sinal de status antigamente), não prega para alguém que esteja sob um parassol (outro sinal de status), seja ele nobre, príncipe ou rei. Não prega para alguém que esteja com o pescoço envolvido em uma echarpe de lã (sinal de status visto como forma de arrogância na Antiga Índia). Só prega para quem venha a ele e peça com humildade para que  exponha o Dharma.
Em contrário, o comunismo rebaixa o que é espiritual e exalta o que é material. Atribui aos líderes políticos e partidários uma importância demasiada, louvando-os como se fossem deuses e tomando de forma dogmática e cega suas palavras e ordens.
Os religiosos em um Estado comunista são vistos como propagadores de superstições anti-científicas e representantes de um passado "feudal", em uma completa inversão de valores em relação ao que ensinam os sutras.

6) O Budismo respeita e venera a família tradicional.
Os ensinamentos budistas demonstram os valores da família tradicional. O próprio Buda Sakyamuni era casado e pai de família. Depois de abandonar a vida secular e tomar o hábito de asceta, continuou formalmente casado.
Buda, mesmo saindo da vida secular, cita com orgulho ao seu próprio clã e aos seus antepassados (vide Ambatta-Sutta).
Posteriormente, sua esposa e seu filho se tornaram seus discípulos e também seguiram o caminho da ascese.
Buda instruiu a vários chefes de família sobre os valores adequados para o marido e a esposa, bem como para as relações entre pais e filhos.
O Sutra de Vimalakirti demonstra como seguir a vida ascética sendo casado. Demonstra os valores profundos do Dharma no seio de uma família numerosa.
Em contrário, o comunismo prega a dissolução familiar, a negação da estrutura familiar composta de pai, mãe e prole e, em último estágio, a apreensão dos filhos para que sejam educados pelo Estado comunista.
Para o comunista, se os pais forem contrários às idéias revolucionárias, devem ser odiados e delatados ao Estado policialesco pelos próprios filhos. O mesmo acontece se os filhos forem os contra-revolucionários.
Além disso, há um esforço deliberado por parte dos comunistas em perverter todos os valores familiares para que a própria idéia de família desapareça.
A idéia de piedade filial, citada diversas vezes em sutras como o Sutra Mahayana da Rede de Brahma, no Sigalovada-Sutta e no Sutra da Bondade Devida aos Pais, é pisoteada pela ideologia comunista.

7) O Budismo ensina a compaixão e o entendimento entre todos os seres.
O Budismo combate a raiva, o ressentimento, a ira e o encorajamento a esses comportamentos negativos.
O Sutra Mahayana da Rede de Brahma diz que um discípulo de Buda deve ser compassivo e filial ajudando todos os seres a desenvolverem boas raízes de não-contenção.
O Sutra do Lótus ensina que o discípulo de Buda deve ser paciente e não retribuir mal com mal.
Em contrário, o comunismo apregoa a luta de classes, o ódio entre ricos e pobres, entre proletários e burgueses e uma luta sem tréguas entre os revolucionários e os contra-revolucionários.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O absurdo evidente

Mensagem da leitora que formulou a pergunta anterior:

"Uau!!! Eu não tinha me dado conta do absurdo que é um grupo de relativistas querendo definir quem é certo e quem é errado! E ainda dizendo qual é a instituição correta! Correto para o relativista é só o que é relativo e indefinido!
Agora eu entendi o que você quis dizer quando citou o Nelson Rodrigues dizendo que só os profetas enxergam o óbvio!!!
Sem dúvida nenhuma, você foi profético agora!!!!!!!!!!!!!!!"

A origem da confusão

P. Arya,

Ao que o sr. atribui a confusão existente hoje entre os fiéis budistas?
Pergunto isso pq tenho diversos amigos budistas. Cada um deles fala uma coisa diferente (e até antagônica) quando tentam explicar a sua religião.
Eles são também parte do XXX e dizem que esse é o órgão oficial do budismo brasileiro.
Obrigada!

R. Prezada leitora,

A confusão é fruto da profunda crise e da confusão doutrinária existente dentro das próprias instituições budistas e do próprio clero.
Quando não se sabe algo e não se quer estudar com profundidade, é mais fácil inventar ou construir um conhecimento esfacelado, na base do "ouvi dizer que" ou acreditando que o fato de alguém ter um título faz com que o conhecimento seja infuso em seu intelecto...
Isso tudo termina em um discurso desencontrado, confuso, fragmentado, apontando para várias direções que, no final, dão em lugar nenhum.
A realidade é que essas instituições não têm, ipso facto, nenhuma doutrina efetiva.
Como afirmei no meu texto sobre "O Grande Esvaziamento", esse tipo de "budismo" é um boneco oco, que pode ser preenchido com as mais diversas idéias, doutrinas e invenções...A gosto do freguês.
Uma vez que, para eles, não há nenhuma verdade absoluta, nenhuma Doutrina Absoluta e nenhum ponto inegociável, tudo é a mesma coisa, tanto faz a doutrina ou a prática, porque tudo "leva ao mesmo fim". O relativismo é o único ponto fixo nesse panorama de doutrinas mutantes e gelatinosas.
Em relação à sua segunda colocação, creio que esteja se referindo ao XXX. 
Não existe nenhuma "Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé" e nenhum "Santo Ofício" dentro do Budismo, ou seja, nenhum organismo tem autoridade para fulminar e dizer quem é oficial ou não oficial, quem é "seita obscura" e quem é "reconhecido", tendo em vista que as instituições são independentes e  não há, sequer, pontos fixos nas doutrinas que elas defendem.
É até um tanto cômico que um grupamento de relativistas se junte para dizer o que é certo e errado...
Para se falar em "reconhecimento" é preciso se perguntar: Reconhecido em relação a quem? 
Para se falar em "oficial" é preciso se perguntar: Oficial para quem?  Oficial em relação a que? 
Para o Estado Brasileiro, todas as religiões são iguais, em direitos e obrigações. Não há nenhuma diferenciação legal entre elas. A única "oficialidade" real é, portanto, referente ao Estado no qual uma determinada instituição está estabelecida.
Dizer que é "oficial" em relação ao próprio organismo ao qual se está filiado ou em relação a outros organismos particulares, constituídos de pessoas jurídicas particulares que têm boas relações entre si, não quer dizer absolutamente nada.
Essa é uma armadilha bastante comum, a lenda do "oficial" e "reconhecido".
Dizer que a outra instituição é "seita" é só um jeito de dizer que eu não gosto dela e usar uma 'palavra-talismã' que invoca impressões negativas na mente alheia. 
'Religião' é a minha, 'denominação' é aquela à qual sou indiferente e 'seita' é aquela da qual não gosto e que me incomoda.
O critério real, para se dizer o que é budista e o que não é, parte, unicamente, da Tradição Canônica. O que está fundamentado adequadamente nos Sutras e nos Tratados Canônicos Ortodoxos, é budista. O que é idéia do fundador, do mestre X, Y ou Z, da instituição W ou K, mas está contra o Cânone, não é budista.
O resto é groselha e fantasia de grandeza.

Correção numérica

Um leitor nos envia a seguinte mensagem:

Prezado Arya Dharmananda,

na referida postagem o Sr. usou dados do estado de Minas Gerais.

Os números do país são maiores; deles, o único foi a porcentagem de votos da candidata reeleita (51,64%); todo o resto me parecem ser apenas de Minas Gerais.

P.ex: 51,64% e 47,6% somariam 99,24%; pois a porcentagem do candidato Aécio Neves no país foi de 48,36% (com os já referidos 51,64% da outra candidata: 100%).
Se se considerar 1,1% (dos 21,1% de abstenções no país - 21,17% são em relação a MG) dos que não votaram por estarem impossibilitados, estimo a desaprovação em aproximadamente 60,74%.
Em alguns sítios virtuais os resultados por estado se tornam visíveis com o mero cursor da tela, sem que seja necessário selecionar; talvez daí a alteração.

Por fim, refiro-me, claro, apenas aos dados numéricos.Concordo com a análise.


Agradeço ao leitor a correção!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A farsa democrática

Na democracia as pessoas têm a falsa impressão de que podem "escolher" seus governantes. Nada mais falso.
Você pode escolher entre algumas limitadíssimas opções que lhe são apresentadas por uma estrutura já completamente viciada.
Se você não quiser optar por nenhuma das opções, não poderá fazer absolutamente nada. Não há recurso.
Vejamos o que aconteceu ontem no Brasil:

Pessoas que não queriam Dilma e votaram em Aécio: 47,6% dos votos válidos
Pessoas que queriam a Dilma: 51,64% dos votos válidos

Temos aqui 100% dos votos válidos.
Por essa conta, o democrata respira aliviado e pensa: Ah, a democracia, a maioria decidiu...
Mas se esquece que os votos válidos são diferentes da maioria do eleitorado.

Pessoas que não queriam nem Dilma e nem Aécio e, portanto, anularam seus votos: 3,56% 
Pessoas que não votaram, ou por não quererem nem Dilma nem Aécio ou por estarem impossibilitadas de votar (doentes, pessoas com título cancelado etc.): 21,17%
Pessoas que não se importam com o resultado e, portanto, votaram branco: 1,47%


Se considerarmos TODAS as pessoas que não queriam a Dilma, teremos:

47,6% que votaram em Aécio
3,56% que não queriam Dilma nem Aécio e anularam
20% dos que se abstiveram por não quererem compactuar nem com Dilma, nem com Aécio e nem com o sistema político atual (considero 1,17% uma margem razoável dos que não votaram por estarem impossibilitados)

Somemos os eleitores: 
5.428,821 votaram em Aécio
5.979,422 votaram em Dilma
____________________100% dos votos válidos

176.025 votaram em branco
427,782 anularam
3.255,049 se abstiveram de votar

Em outras palavras: 3 milhões 858 mil e 856 eleitores. 
Se somarmos a esses os que votaram em Aécio: 9 milhões 287 mil e 677 eleitores não queriam Dilma. 
Se o eleitorado total é de 15 milhões 267 mil e 99 eleitores (somando-se todos os segmentos computados), o total dos que não queriam Dilma é de aproximadamente 60,83% do total.
Isso sem contar as tais urnas com 400 votos computados previamente e toda a "liberdade" de voto dos que dependem das benesses governamentais...
Essa é a democracia.


domingo, 26 de outubro de 2014

Eleições 2014, uma análise pessoal

Como era esperado, Dilma Roussef foi reeleita.
Milhões de reais foram gastos pelo PT para que o poder fosse mantido.
A pregação contínua nas universidades e estabelecimentos de ensino de todo país também fez sua parte. A campanha continuará ininterrupta, rumo a uma socialização cada vez maior. 
Estudantes que nunca pagaram uma conta de luz, que nunca tiveram que se preocupar com o preço do pão ou que andam  de carro, que o papai comprou para eles, apóiam o grande projeto socialista para o Brasil.
Enquanto freqüentei às aulas de mestrado e doutorado, pude me deleitar com a visão de diversos carros importados de alunos, devidamente adesivados com a face de Che Guevara ou com a bandeirinha de Cuba. Lindo mesmo.
Aliás, esse foi o tema de uma discussão que tive lá com um professor. O fato dos filhinhos de papai ficarem falando em "relevância social" e os professores perguntarem sobre a "relevância social" dos projetos de pesquisa. 
Enquanto eu estava me matando para pagar mensalidade (caríssima) e rezando para sair a bolsa CAPES (que quase não saiu e que, quando saiu, eu já estava devendo os tubos para a igualitária e socializante universidade), eles andavam sorridentes com seus carrões importados e seus discursos socialistas porque o papai pagava a mensalidade sempre em dia.
Em uma das aulas, aliás, eu cheguei a dizer que, se os professores queriam "relevância social", que fundassem e dirigissem um grupo de funk porque o povo mesmo, esse não está nem aí para projetinhos de mestrado e doutorado. Quer mesmo é decorar a última letra do funk ostentação, que vai influenciar muito mais às suas comunidades do que o mais brilhante projeto de pesquisa.
Isso causou um certo furor em núcleos engajados da universidade que queriam me convencer que a sujeira e a desordem dos centros acadêmicos ao fundo do prédio, que parece mais uma favela ou um cortiço, é a mais pura expressão do igualitarismo marxista e não, simplesmente, falta de disciplina, de ordem e de vergonha na cara.
Me parece que essa mentalidade transborda bem além dos campus universitários.
Há gente que mora em casarão, que ganha bem mais de 20 mil reais por mês, mas que é socialista de carteirinha. Há religiosos ("budistas" inclusive) que vivem da doação da esquerdinha chic, daquelas madames que não têm muito em que enfiar dinheiro e que, então, resolvem investir em uma religião exótica, oriental e super "prafrentex", onde depois de uma meditação super relaxante e que astraliza a gente, se vai tomar café na cafeteria mais "high society", vestindo um casacão que trouxe de "Níu Iórki", mas que é socialista, socialistíssima, socialistérrima. Prova disso é que viajou para Cuba, comprou um álbum fantástico de Alberto Korda e, depois, deu uma esticada para Amsterdam, que é um outro "point" dos cools. Lá em Amsterdam, visitou um "point" exótico, oriental, super legal e tirou umas fotos de mãozinha posta. Gasshô my friends!
É tão cool (que é o legal mais legal, porque tem chic) posar com o adesivinho do PT no casaco!
Esses dias, aliás, me deparei com um sujeito, desses religiosos "cool", que coloca foto de terrorista, que queria fazer atentado com explosivos em plena Copa do Mundo, como sua foto de perfil no Facebook.  Isso é que é ser "cool" e "engaged buddhist"...Bolsa com 20 morteiros e 178 ouriços, com capacidade para matar e aleijar uma porção de gente (segundo laudo do CORE-RJ) é super  "revolts", " cool" e "noir"...Um "revival" dos "sixties", mas com um visual super meigo, de professorinha contra o sistema.
Além da propaganda universitária, dos religiosos de esquerda (dos quais o pseudo-budismo está infectado dos pés à cabeça) e da máquina de propaganda milionária, entrou no jogo também o interesse particular de quem vive de bolsa família e de outras muitas esmol...quer dizer, benesses, do governo petista.
Esses votaram em peso no PT, não por um Brasil melhor, mas sim para a manutenção da teta em que mamam.
O problema, ao que parece, é que a democracia é assim. Completos imbecis podem votar e quanto maior o número de imbecis convencidos, maior a chance de ser eleito.
Segundo essa lógica, não é importante mostrar resultados efetivos ou fazer propostas factíveis. O que importa é convencer o maior número de onagros possível, e de um jeito que seja o mais fácil para que eles entendam, lançar merda sobre o adversário.
Se a aristocracia é o governo dos melhores, dos que sabem, a democracia moderna é o governo dos piores, do quanto pior melhor, da inversão de toda hierarquia legítima. 
Quanto mais ignorante o povo, mais facilmente é convencido. Quanto maior o número de convencidos, maior a chance de ser eleito. Logo, quanto mais ignorantes houver, maior a chance de ser eleito. Será que é tão difícil de perceber?
Há um ano atrás eu xinguei bastante as manifestações, demonstrando que elas eram fruto de movimentos que queriam lançar o caos sobre o país. Elas nada tinham de oposição real à situação que aí está. Falei até de um elefante inocente, que era a classe média com seu bom mocismo, seguindo encantada aos fascínios do "vamos fazer algo" que nada tinha a ver consigo própria.
Agora, minha teoria se confirma...Os "coxinhas" que foram esculhambados nas ruas pelos vermelhos, hoje receberam a resposta ao seu "ativismo".

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O louco

P. Sr. "Arya",

Cada vez que leio seus textos reacionários e ultra conservadores entendo porque já ouvi várias pessoas dizendo que você é louco e não um buddhista sério.
Será que você é tão cego que não vê sua própria loucura?
Já percebeu que nenhum buddhista te cita? Que você simplesmente não existe no universo buddhista brasileiro?
Por que será né?

R. Vou me ater a algumas palavrinhas.
A tática de rotular alguém, a quem se quer rebaixar, como "louco" é mais velha que andar para a frente.
Há uma interessante passagem no livro "Mental Health as a Social Weapon" de Stephen Chorover que diz o seguinte:

"O conceito de invalidez é um instrumento terrivelmente poderoso, que pode ser utilizado também contra dissidentes. Pois, se um dissidente é eficazmente rotulado de louco, segue-se que não tem sentido prestar atenção ao que ele está dizendo. Do ponto de vista político, a invalidação do comportamento político de um dissidente, 'provando' que esse comportamento é fruto de uma doença mental, é muito mais eficaz do que matar o dissidente. Matando-o se fará dele um mártir. Tachando-o de louco, tudo o que ele disser soará suspeito, como suspeito será quem quer que siga seu exemplo".

Acho que não preciso acrescentar mais nada pois não se cita a quem se quer "matar"...

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Lendo pessoas e ambientes: Uma perspectiva aristocrática

Cada vez que vou realizar alguma tarefa à rua, tenho a oportunidade de observar os ambientes, as pessoas e o comportamento social.
Hoje foi um desses dias.
Depois de cumprir algumas tarefas necessárias, parei em um restaurante para almoçar.
Trata-se de restaurante de algum nível, retirado da praça de alimentação de um shopping center em São Paulo.
Fiz meu pedido e, enquanto aguardava, notei que estava defronte a um espelho inclinado que me possibilitava a observação serena do que acontecia atrás de mim.
Logo na primeira observação geral,  notei uma senhora sentada com uma menina de 3 ou 4 anos de idade. A menina cortava pedaços de guardanapo, os enfiava na boca e depois os socava dentro de um canudinho. Depois de repetir essa operação algumas vezes, soprava em uma cusparada o conteúdo do canudinho no rosto da senhora que, ao que parece, era sua mãe. A mesma senhora ria e batia palmas. Ao lado dela, uma senhora mais idosa (avó?) conversava normalmente com a primeira, sem que aquilo se lhe afigurasse como uma tremenda falta de modos por parte da menina.
Passando para outra mesa, notei um senhor obeso, com uma camiseta branca de mangas compridas que estava sentado defronte a uma senhora. Esse senhor falava ao celular e, com a outra mão, ia comendo. Logo que desligou o celular, enfiou a mão por debaixo da mesa e começou a afofar o escroto sem nenhuma cerimônia. Depois de coçar-se à vontade, voltou a mão para a mesa e apanhou o copo de bebida, sorvendo uma grande golada. A operação de afofamento/coceira repetiu-se em seguida, até que o celular foi novamente empunhado e ele substituiu o escroto pelo celular uma segunda vez.
Estando eu absorto nessa bizarrice, fui despertado pelos comentários ditos em alta voz por uma senhora que se sentava ao meu lado. Dizia ela a um senhor que sentava defronte a ela que "o gordo não tem que reclamar, tem que parar de comer e fazer ginástica". Dizia em um tom tão elevado que, com toda a certeza, todo o salão ouviu claramente a sua fala.
Ao meu lado esquerdo estavam sentadas uma senhora de meia-idade e uma senhora ou senhorita mais jovem. Esta última falava sem parar e, mesmo com a boca cheia ou sendo preenchida pela comida, continuava falando, ao ponto da comida já inserida na boca ter pequenas partes expelidas em meio ao falatório.
Do outro lado do salão havia um magote em volta de uma mesa maior. Dentre ele, estava uma senhora loura, vestida com uma blusa de lantejoulas douradas, que falava em tom bastante alto também enquanto metade do magote olhava o celular e mostrava uns aos outros as imagens das respectivas telas.
Depois disso, chegou minha comida e eu me distanciei de tais imagens para comer em paz.
Ao sair do restaurante fui me encaminhando para uma livraria próxima quando fui surpreendido por um grupo de seguranças correndo em volta de um indivíduo de chapéu de peão de rodeio, calça jeans e camisa de clergyman (?!).
Achei aquilo estranhíssimo. Um padre-peão? E ainda com seguranças em volta e um corre-corre de pessoas de nível bastante baixo gritando, tirando fotos e correndo atrás? É, no mínimo, curioso.
Essa é a função de um padre? Ser "pop" e "superstar"? Andar cercado de seguranças?
Para meu azar, o grupo estava se dirigindo justamente para a mesma livraria que eu, onde o padre estaria distribuindo autógrafos aos seus fãs.
O grupo, composto em sua maioria por mulheres com comportamento bem afobado e semi-histérico, urrava a cada palavra do padre, tornando o ambiente da livraria bastante incômodo para qualquer análise tranqüila de livros.
Resolvi me afastar e ir embora logo. Ao me dirigir para o estacionamento encontrei vários magotes de fãs do padre a gritar e arruaçar pelos corredores do shopping. Comportamento bem "próprio" para pessoas devotas que deveriam buscar alguma serenidade e recolhimento, não é mesmo?
Bem próximo ao caixa do estacionamento, vi jogado ao chão um marcador com a foto do tal padre. Chama-se Alessandro Campos e escreveu um livro chamado "O que sou sem Jesus? Nada, nada, nada". Era esse o livro que estava sendo lançado e que causava toda a comoção no local.
A impressão geral que todos esses fatos me causaram é a de que a sociedade, cada dia mais, se afasta da noção de normalidade, serenidade e bons modos que seriam desejáveis para qualquer ambiente saudável.
Em locais para se tomar uma refeição, seria normal que as pessoas estivessem em paz, comendo tranqüilas, com certo distanciamento psíquico dos aborrecimentos do dia-a-dia, sem a neurose do celular sendo usado a todo segundo, sem berrar para falar e observando um mínimo de bons modos à mesa. Seria normal que uma mãe não permitisse que uma criança, ainda muito pequena, desenvolvesse hábitos grosseiros e inadequados à mesa e muito menos que a aplaudisse por tais hábitos.
Seria normal e desejável que um senhor não se coçasse de maneira grosseira e impudica, apertando os bagos do escroto em público, como se fosse a coisa mais "normal" do mundo.
O modo de conversar não precisa ser nervoso, cuspindo comida, gritando, gesticulando e mostrando a tela do celular. Pode ser em tom baixo, com gesticulação moderada, calma e sossego e sem celular.
Não é adequado a um sacerdote, de que religião seja, andar correndo no meio de seguranças, misturando roupas próprias do seu estado sacerdotal com botinas e chapéus de peão. O sacerdote deve ser exemplo de serenidade verdadeira, de modos corretos e de humildade. Nenhum sacerdote é "superstar", nem "artista", nem "celebridade" ou coisa semelhante. Sacerdote é sacerdote e como tal deve agir. Gritaria, correria, afobação e estrelismo são a própria antítese do estado sacerdotal.
Pessoas que vão a um local para comprar um livro religioso, ou seja, que, ao menos se supõe, que sejam envolvidas com a prática religiosa, devem procurar uma maior interiorização, modos mais resguardados, comportamento mais modesto,  não histeria, gritaria e correria.
O absurdo chegou a um tal ponto que ouvi um segurança advertindo uma senhora com um bebê para que ela saísse da porta da livraria pois o padre iria sair em alguns instantes e haveria "correria e empurra-empurra". Em outras palavras, os "devotos" poderiam derrubar a senhora e seu bebê...
A sociedade em que vivemos é, em sua imensa maioria, composta pela canaille  e, o pior, é um tipo de canaille que não percebe a anomalia que impõe aos ambientes. 
A calma, a serenidade, os bons modos e a apreciação dos momentos de tranqüilidade estão desaparecendo.Tudo é frenético, sôfrego, nervoso, tenso. É preciso preencher o próprio vazio existencial, a própria mediocridade interior, a própria vileza moral com sensações diferentes a cada instante, com um "prurido" por novidades que lançam a mente em ondas sempre renovadas de ansiedade.
Olhar o celular sem parar é parte dessa neurose coletiva pelas "novidades" e "notícias".
Mesmo as crianças devem buscar, sem cessar, o divertimento, mesmo que esse consista em cuspir pedaços de guardanapo babado no rosto da própria mãe.
O lado mais irracional e sem pudor é visto como aceitável em uma sociedade que já não diferencia mais entre o que é mais elevado e o que é mais baixo, entre superior e inferior, entre certo e errado. 
Vivemos em um mundo doente e caindo aos pedaços.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Eleições: 2º Turno

Caros leitores,

Eu não sou alguém que nutre grandes simpatias pelo PSDB.
Para mim o PSDB está mais à esquerda do que deveria estar. É um partido de centro-esquerda e, portanto, com pontos ideológicos bastante divergentes de mim que sou um monarquista tradicionalista.
No entanto, tendo em vista o quadro atual do Brasil e a imprevisibilidade das eleições, recomendo vivamente o voto em Aécio Neves.
Não estou afirmando que o governo de Aécio Neves será um sonho, que ele fará mágica ou que mudará definitivamente o Brasil. Nada disso.
Meu voto e minha recomendação são contra as agendas imorais do PT, contra o apoio ao abortismo, contra o apoio ao gayzismo militante, contra o apoio dado pelo PT às ditaduras comunistas , contra a arrogância do sr. Luis Inácio Lula da Silva, que se jacta da própria obtusidade, contra a quadrilha composta por José Dirceu, Genoíno "et caterva" e contra o aparelhamento do Estado Brasileiro em prol de um grupo e de uma ideologia.
O PT é um partido afinado com o comunismo. Sempre foi e sempre será. Daí seu apoio incondicional a Cuba, ao governo de Evo Morales e ao chavismo venezuelano (que acaba de ser acusado pela ONU de prender, pelo menos, 3,3 mil pessoas desde o início dos protestos contra Nicolás Maduro, em fevereiro desse ano, por motivos políticos e de forma arbitrária).
Para quem se opõe às idéias comunistas ou à degeneração revolucionária, votar no PT, que propõe a completa subversão dos valores tradicionais, é o mesmo que voluntariar-se ao suicídio ideológico.
O voto nulo ou em branco, diante do atual quadro eleitoral, será benéfico a quem estiver em vantagem. Sendo assim, muito provavelmente, será benéfico ao PT que, segundo o jornal "O Estado de São Paulo" de 21 de outubro de 2014, aprovou a elevação dos gastos de campanha em R$ 40 milhões. Sim, 40 milhões de reais para reeleger a sra. Dilma Roussef, a mesma que foi vaiada incontáveis vezes e que viu o país pegar fogo em meio aos violentos protestos que tomaram conta das cidades em 2013.
O mesmo jornal também traz a notícia de que o governo petista conseguiu adiar as declarações do doleiro Alberto Youssef para três dias após as eleições. Em outras palavras, o governo deve ter muito a perder com tais declarações...
O grande problema de nosso país e de sua "democracia" é que quem decide as eleições não é quem lê jornal, mas sim quem limpa a bunda com ele.
Sendo assim, e crendo que meus fiéis leitores são pessoas de nível, espero que façamos a nossa parte.




Alianças com o mal

P. Arya li sua resposta a minha colocação.
Continuo achando você bem pouco otimista. Esse óbvio que você diz é muito sombrio. O buddhismo é uma forma de interser. Se as pessoas se unissem mais você teria um mundo mais fraterno.
Você poderia se unir com outros que pensam diferente de você e parar com idéias de ficar guerreando feito um Dom Quixote.
Fico boquiaberto quando você diz que é preciso combater as idéias alheias ou até prega repressão. A união é que é o grande lance. Fica a dica!


R. O otimismo é uma caricatura da esperança. Prefiro ter a pequena esperança, factível, de que meu trabalho desperte a mente de uns poucos do que ser "otimista" em relação a uma massa degenerada e acéfala.
Você está redondamente enganado em relação a alianças e uniões.
A bondade dos bons não desarma a maldade dos maus. Os maus lutam para acabar com os bons, e lutam até o fim, porque os odeiam. Portanto, a idéia de paz entre os bons e os maus é completamente equivocada e fantasiosa.
Não tente fazer um acordo de paz ou um discurso moral ao bandido que invade sua casa no meio da madrugada. Não tente inculcar idéias de paz, concórdia ou "interser" ao assaltante do farol. A única possibilidade de defesa de sua vida nesses casos é a reação rápida, fria e potencialmente letal. Essa é a linguagem que os maus compreendem. 
Se você quer paz, não a busque tentando entrar em concórdia com os adversários da ordem ou com os difusores da desordem. Busque, ao invés disso, promover a ordem. Uma vez promovida a ordem, a paz brotará de maneira natural. 
Não lute pela ordem, não a defenda, permita que ela seja massacrada, pisoteada, e a desordem brotará como um jorro pútrido. Isso é o que acontece todos os dias.
Quer um Dharma ortodoxo? Promova a ortodoxia, mas não seja tolo de tentar entrar em concórdia com quem é heterodoxo. Quer calma e paz? Promova a ordem. A paz é a tranquilidade da ordem e a ordem é a disposição dos seres segundo sua natureza, ou seja, de acordo com o objetivo para o qual tendem naturalmente. A natureza real dos seres é agir de acordo com o Dharma. Promova isso e obterá ordem, paz e calma. Faça o contrário e obterá perturbação, confusão, desordem e caos.
Os maus odeiam os bons na mesma medida que amam suas maldades. Eles odeiam a ordem porque amam a desordem. Odeiam os ensinamentos ortodoxos à medida que se regozijam na lama da heterodoxia.
Não há acordo, união ou concessão possível diante desse quadro.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A profecia do óbvio

P. Arya você aponta muitas coisas no mundo de hoje, coisas que às vezes são difíceis de perceber no dia-a-dia, no corre corre da vida.
Tenho a impressão de que vc é muito pessimista na maior parte do tempo e não consegue ver tantas coisas positivas nas pessoas.
Gostaria de ler em seu blog mais mensagens de paz e bem estar para ajudar as pessoas a terem uma vida mais serena e com maior bem estar. Acho que a proposta buddhista vai bem por aí. Talvez se você fosse assim mais positivo, teria maior crescimento sua religião.
Paz e bem para você!


R. Caro leitor,

Responderei à sua mensagem, cor de rosa e cheia de purpurinas douradas, com um trecho de Nelson Rodrigues, o "anjo pornográfico":

"No meio da crônica, escapou-me esta verdade translúcida, perfeita, eterna: 'Só os profetas enxergam o óbvio'. E desde então, não faço outra coisa senão promover o óbvio como um sabonete. O importante é ver o óbvio. Nada mais interessa. O novo, o nunca visto, é o óbvio."

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A Verdade sobre o aborto

Hoje li no jornal que uma operação policial prendeu 57 pessoas por aborto no RJ.
Um dos "médicos" envolvidos tem uma conta na Suíça com U$5 milhões.
Foram apreendidos R$555 mil reais em dinheiro, além de máquinas de sucção, carros etc.
A notícia toma meia página do caderno "Metrópole" do jornal "O Estado de São Paulo" e, quase ao final da notícia, é também informado o fato de que as mulheres não foram denunciadas no inquérito e a polícia solicitou para elas o "perdão judicial".
Pois bem.
A mensagem geral da notícia é a do horror dos "locais sem condições mínimas de higiene e salubridade, expondo a integridade física e a saúde das mulheres" e a malignidade dos "médicos", entre eles uma fulana que teria praticado 6.352 abortos.
O que me deixa realmente boquiaberto é a completa cegueira moral da sociedade em relação a esses casos.
Mais uma vez, como tende a acontecer no mundo contemporâneo, inaugura-se um tipo de maniqueísmo, um dualismo em que, de um lado, figuram santos, imaculados, bondosos e vitimados e, do outro, indivíduos malignos, soezes, enganadores etc.
Nesse caso concreto, as clínicas de aborto, com todo seu aparato, seriam demoníacos antros de perversidade, enquanto as mulheres, que as procuram para o louvável ato de matar fetos, seriam seres bondosos, ingênuos e imaculados, enganados pela perfídia do demônio que se manifesta nas clínicas.
O pedido de "perdão judicial" manifesta bem essa visão dualista.
Vemos esse mesmo maniqueísmo nas questões políticas. Os políticos são uns demônios pérfidos, vindos diretamente do inferno para atormentar o povo. O povo, em contraposição, é santo, bondoso, trabalhador, honestíssimo, moralíssimo, vitimado pelo governo etc.
O caso do aborto deve ser declarado com todas as letras para que ninguém se engane por romantismo barato.
Mulher que aborta é homicida. Só não mata com as próprias mãos por inabilidade. Então, é mandante do ato e também partícipe.
Mulheres: Se v.sas. abrirem as pernas e fizerem SEXO VAGINAL sem preservativo, correm o risco de engravidar, além de pegar AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis (Hepatite C, Sífilis etc.). É muito difícil compreender isso?
Se a sra. quer dar para qualquer um (QUALQUER UM MESMO, porque o homem que engravida uma mulher e depois permite ou estimula o aborto é um lixo humano, é qualquer um, é um bosta etc.), tenha em mente que é preciso encapar o órgão sexual do sr. 'qualquer um' para que um feto não tenha a infelicidade de habitar seu ventre e correr o risco de ser esquartejado por um fórceps ainda lá dentro. Não é possível que essa tão "complexa" lição seja tão difícil de ser entendida. Sendo assim, se a sra. quer ser imoral e sair fazendo sexo por aí com qualquer lixo, pelo menos assuma a responsabilidade MÍNIMA de fazer seu parceiro usar preservativo.
A grande realidade é que vivemos em uma sociedade que é habitada por gente cada dia mais imoral.
As pessoas não assumem responsabilidade alguma pelos próprios atos. Tudo é atribuído a causas externas, daí o crescimento exponencial de religiões que vivem culpando ao Diabo e aos demônios por toda merda que seus fiéis fazem, uma forma tosca de "aliviar" a consciência de quem não assume nada do que faz.
Uma determinada mulher é imoral, vai para o baile funk e faz uma verdadeira orgia, engravida, muitas vezes sem nem saber de quem, e, obviamente, não está nem aí para aquela vida que teve a infelicidade de começar em seu ventre. Não quer assumir, porque "não vai ter mais vida própria" se tiver que cuidar da criança ("vida própria" quer dizer sair dando por aí, ir aos bailes da vida, fumar baseado e cheirar pó com as amigas, beber até cair, virar a madrugada na rua etc.) Então, a solução é ir ao "médico" e mandar matar o próprio filho. Sim, matar o próprio filho é um jeito de poder continuar putanhando livremente.
Isso não é dito com todas as letras por aí porque é "feio" e "ofensivo". Bonito é ser vadia e matar o feto com uma bomba de sucção, arrancando-lhe os pedaços. Então, se arrumam milhares de desculpas furadas sobre a "situação social" e as "dificuldades" em se criar um filho em situação de pobreza. Tudo mentira e papo furado.
As merdas que procuram um abortista pagam de R$1000 a R$7.500 por um aborto. Ou seja, para matar e arrebentar elas dão um jeitinho e pagam. Não é com dinheiro produzido pelo Satanás que os abortistas ficam milionários. É com dinheiro das "pobres vítimas" que dão um jeito para pagar pelo assassinato dos filhos.
Se não têm condições para ter filhos, que os evitem. Não é meio óbvio? O governo distribui camisinha de graça para o povo meter à vontade. É difícil ir ao posto de saúde pegar?
Minha avó por parte de mãe era uma camponesa analfabeta. Meu avô, marido dela, era um lenhador. Viviam em um casebre dentro de uma fazenda cujo dono era o empregador do meu avô. Eles tiveram dez filhos. Todos experimentaram, em algum grau, o que é passar fome. No entanto, ninguém foi abortado e ninguém virou ladrão ou criminoso. Milagre? Não, não, só VERGONHA NA CARA.
Aliás, acho que o que anda faltando ao mundo é isso, vergonha na cara.
Hoje em dia o negócio é ter como "modelo" às personagens vagabundas cantadas pelos funkeiros e funkeiras. Aquelas que querem ter o "grelo" mamado, que só querem saber de "ostentação" ou que gostam de "pica" que tem "dona" ou ainda as que "na cama esculacham" etc.
A mulher que se expõe a uma clínica clandestina de abortos faz isso por sua livre, espontânea, IMORAL E CRIMINOSA VONTADE. Não é "vítima da sociedade", não foi "enganada" e nem é a coitadinha da vez. É mandante de assassinato, assassinato de quem não tem a mínima chance de se defender ou sequer de reclamar. Ela mata porque não quer assumir a responsabilidade pelos próprios atos, só isso. Todo o resto é balela, é papo furado de sociólogo de esquerda que quer teorizar sobre o nefando, numa tentativa pífia de torná-lo aparentemente menos nefando.

Nota:  Art. 5º, IV da Constituição Federal: é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; VI: é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgia; VIII: ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; IX: é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
Art.220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
Declaração Universal dos Direitos do Homem: 
Artigo 18°
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
Artigo 19°
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Questão de conduta

Cada dia mais, percebo que a sociedade não sabe com muita clareza o que é ter conduta adequada.
Sendo assim, partilho com os leitores alguns pontos que, a meu ver, são óbvios, mas que, infelizmente, parecem ser bastante misteriosos para a população em geral, inclusive para aquelas pessoas que deveriam zelar por um maior rigor pessoal, justamente por se julgar que tenham tido acesso a algum nível de educação e de cultura.
Aí vão:

- Se você prometeu alguma coisa para uma data, cumpra. Se não foi possível, NÃO ESPERE QUE LHE PROCUREM PARA PERGUNTAR O QUE HOUVE. Adiante-se, procure a pessoa e se explique. Tome o cuidado para não descumprir novamente sua palavra depois desse primeiro incidente. Ficar prometendo sem cumprir faz com que as pessoas parem de confiar em você.

- Se você marcou um horário, simplesmente respeite esse horário. Ao marcar para as 20:00, não quer dizer 20:15, 21:00 ou 19:30. Quer dizer, especificamente, 20:00.
Se você perceber que vai se atrasar, avise com alguma antecedência (se estiver em um local distante 40 minutos antes do horário marcado, calcule que é possível que vai se atrasar, contando o tempo que levará para chegar). Não ligue às 20:15 avisando que vai se atrasar para o horário das 20:00.
Uma das coisas mais desagradáveis que existe é aguardar pessoas retardatárias.
Da mesma forma, se for se adiantar demais (mais de meia-hora), ligue avisando e pergunte se é possível chegar um pouco mais cedo. Se não for possível, faça hora em algum lugar até dar o horário combinado. A pessoa não tem culpa se você se adiantou.

- Evite dizer para alguém que vai fazer alguma coisa se você não vai fazer em tempo hábil. Não diga que "tudo bem" para depois ir enrolando até cair no esquecimento. Isso é falta de consideração e mostra que você não é confiável.

- Não pergunte demais sobre as particularidades das pessoas. Se você não tem intimidade com alguém, não se meta no que ela trabalha, em quantos filhos tem, se mora no bairro x ou y, se frequenta o restaurante tal ou qual...Se você quiser, dê essas informações sobre si mesmo e espere que ela faça o mesmo. Mas, não force. Se ela não quiser lhe dar maiores informações ESPONTANEAMENTE, respeite.

- Até que haja autorização FORMAL, todo mundo é SR. e SRA. Só se permita usar "você" se a pessoa for sua amiga mesmo. Aqui cabe uma observação: Colega de trabalho não é amigo, superior hierárquico não é amigo, subordinado não é amigo, o balconista não é amigo, a garçonete não é amiga. Amigas são as pessoas que mantêm com você relações que vão além das funções executadas em ambientes comuns a ambos.

- Não visite alguém sem AVISAR. As pessoas podem não estar em casa, podem estar ocupadas com outras coisas ou, simplesmente, podem não estar querendo receber sua visita naquele momento. Ligue, mande um e-mail, uma mensagem, enfim, use os meios à sua disposição.

- Quando fizer visitas, não as alongue em demasia. As coisas boas, se são breves, são duplamente boas.

- Não force ninguém a fazer o que essa pessoa não quer. Se você acha o máximo fazer uma "festa surpresa", comunique isso aos seus amigos. Assim, se eles quiserem lhe agradar, farão uma festa desse tipo para você. No entanto, se a pessoa não gosta desse tipo de coisa ou se nunca manifestou gostar disso PUBLICAMENTE, não se arrisque a fazer ou forçar alguém a "gostar" da tal festa. É uma tortura para quem não gosta. A pessoa se sente violentada a fingir que gosta só para não ser grosseira e você sairá como uma amaríssima lembrança na vida dela.

- Respeite as convicções das pessoas. Não se meta a fazer gracinhas se alguém é vegetariano ou gosta de comer algo que você não gosta. Simplesmente feche sua linda boca e não faça comentários dietéticos à mesa.

- Controle seu histrionismo. Muita gente não aprecia risadas altas no ouvido, gritos, expressões exageradas de euforia ou palhaçada excessiva. Tenha bom senso.

- Se você não está em um debate ou em um local adequado para embates ideológicos (universidade, instituição religiosa, seminário etc.), não abra a boca para falar de religião, política e temas polêmicos. A chatice de quem faz isso é aliada à total falta de senso de utilidade. Você não vai convencer ninguém do seu ponto de vista debatendo em meio aos pedaços de bolo de aniversário e nem no meio de almoço de confraternização. O que você vai conseguir é ser visto como o "espalha roda".

- Não seja o Dr. Explicadinho, aquele que quer tudo explicado nos míííííínimos detalhes. Se a pessoa lhe narra uma notícia genérica, do tipo falando que alguém ficou doente nos EUA, não queira saber em que Estado foi, em que hospital a pessoa está internada, qual é o quadro dela após passar pela cirurgia, se a cirurgia era mesmo necessária etc. Se você se interessa tanto assim, busque depois pelas informações adicionais, mas não atormente alguém que só está dando uma notícia genérica e não lhe fazendo um relatório profissional.

- Controle sua ansiedade. Se você estiver perto de alguém que está executando algo, não pergunte a cada 3 segundos o que a pessoa está fazendo ou o que vai fazer. Isso quebra a concentração da pessoa. Espere um pouco e logo você saberá.

- Desestimule a fofoca. A fofoca é lamentável entre senhoras, entre homens é simplesmente ridículo.  Disque-me-disque, telefone sem fio, passar informações o tempo todo ou ficar ansioso por receber as "novidades" da vida alheia é um comportamento que revela profunda pobreza intelectual.

- Controle seu tom de voz. Se você está num restaurante, a mesa ao lado não precisa ouvir toda sua conversa. Muito menos o outro lado do salão. 

- Ao se sentar à mesa ou ao se encontrar com amigos, desligue o celular. É uma falta de educação terrível olhar para o celular enquanto come e/ou conversa.

- Tome cuidado com os temas que introduz em uma conversa. Você pode adorar colecionar dinossauros de plástico e classificá-los de acordo com as novas descobertas arqueológicas, mas nem todo mundo aprecia isso. Você pode ser um gênio do fliperama, mas há pessoas que não se interessam nem um pouco pelo tema.

- Não corrija as pessoas em público e nem fique insistindo se elas tropeçarem em alguma palavra. Se a pessoa fala "poblema", "probrema", "pobrema", "degrais", "menas", "foi uma perca" etc., seja elegante e finja que não ouviu.







Rito mágico x Rito budista

P. Arya,

Acho difícil separar um rito mágico de um rito religioso. As duas coisas são quase iguais.
No caso budista, como você faz essa diferenciação? Como dizer que um rito é supersticioso e mágico e o outro é religioso e ortodoxo?

Abraço!

R. Excelente pergunta.
Um rito supersticioso é aquele em que se perdeu o correto objetivo e o correto significado religioso, mesmo que revestido de elementos religiosos genuínos.
Por exemplo: Um monge que executa o Rito do Fogo Sagrado (Gomá), ainda que o execute de forma ritualisticamente  perfeita, querendo atingir finalidades materiais, trazer sorte, saúde, proteger pessoas de serem vítimas de roubos, assaltos etc., pratica um rito supersticioso. 
Isso é "magia", ou seja, é tentar controlar forças que supostamente dominariam os fenômenos desagradáveis, através da manipulação de objetos, palavras e visualizações.
O mago é supersticioso. Ele acredita que os objetos, os gestos e as palavras têm poderes de manipular a realidade invisível, de subjugar as forças da natureza ou de controlar espíritos etc., sendo que, na verdade, tudo isso é inútil.
Da mesma forma, quem se coloca diante do altar budista recitando mantras ou saudações (Namu Myoho Renguê Kyô, Namu Amida Butsu, Namu Daishi Henjô Kongô, Namu Dengyô Daishi Fukuju Kongô etc...) por um número determinado de vezes ou de horas, achando que isso vai trazer alguma solução objetiva para qualquer questão, está praticando magia, está realizando um rito supersticioso, sem nenhum efeito real e, pior, cometendo uma falta contra o Dharma.
O Ensinamento do Buda é uma prática diária, um trabalho de aperfeiçoamento pessoal, um esforço consigo mesmo, uma ascese no sentido de nos melhorarmos, de refinarmos nossa conduta moral, de melhorarmos a qualidade de nossos pensamentos, de nossas palavras e dos nossos atos. Não é um amontoado de rituais mágicos ou de salamaleques úteis para impormos nossa vontade egoísta.
Quando praticamos qualquer rito budista, temos que ter em mente que o objetivo de tais práticas é o de fortalecer as raízes do Dharma que já estão em nós e plantar novas sementes dhármicas, de maneira que, cada vez mais, estejamos firmes nos ensinamentos de Buda.
Mesmo com isso em mente, é preciso ter cuidado para não nos deixarmos levar pela tentação de magia. Se acharmos que, para fixar um determinado ensinamento, temos que recitar 3x um mantra, fazer 3 prostrações, acender 3 palitos de incenso e, depois, dar 3 voltas em volta de uma stupa, já estaremos caindo na magia...Não há uma fórmula mágica, fixa e infalível, para obtermos uma compreensão mais profunda dos ensinamentos. Cada pessoa é diferente e, o que realmente importa, é a sinceridade e o esforço da busca.
O Grande Mestre Zhiyi ensinou que, assim como todas as coisas são transitórias e condicionadas, também as formas do Dharma são transitórias e condicionadas. Cabe aos intérpretes e aos exegetas adaptar tais formas para que o Ensinamento de Buda se atualize e faça sentido para o tempo e o lugar em que é pregado, sem apegar-se em demasia aos detalhes das formas transmitidas.
Em outras palavras, em vez de se preocupar em comer com palitinhos, adorar a imagem X em vez da imagem Y, dar 3 voltas em sentido horário, fazer a prostração no sentido x-y, pegar o anel do kasaya com o dedinho ou recitar em chinês, o importante mesmo é fazer com que a MENSAGEM do Dharma chegue às pessoas de maneira que faça sentido para o tempo em que elas vivem e para os costumes do lugar. Toda a preocupação excessiva com as formas sempre acaba em superstição e magia...


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O grande esvaziamento

Chamo de "grande esvaziamento" ao fenômeno de esvaziamento religioso-doutrinário do Budismo, retirando sua seiva vital e conservando-lhe apenas a casca exterior.
Imagino-o como algo semelhante a empalhar um animal. O animal está morto, nele não há sangue, não bate mais o coração, não respira, não tem vitalidade, está inerte...Então, preenche-se-lhe o corpo com substâncias artificiais, colocam-se enchimentos inertes nas cavidades, se detém o processo de decomposição dos tecidos externos e, dessa maneira, o animal se transforma em um enfeite de mau gosto.
No caso do Budismo não é difícil observar isso.
O que se tem e se pratica como "budismo" hoje em dia, de maneira geral, é uma casca de costumes e superstições. Não há mais o elemento genuinamente religioso, não há mais comprometimento ideológico, não há o envolvimento integral com a mensagem, com o espírito do Dharma. Acabou-se o desejo de vivenciar, de agir de acordo com a mensagem, de corporificar os ensinamentos dos sutras. O que sobrou é a conservação, deficiente e, muitas vezes, de mau gosto, das aparências, das superficialidades, de costumes populares e de instituições mecanizadas, engessadas, preocupadas em se retro-alimentar, sem um objetivo religioso genuíno definido.
No caso do Budismo, chamo de 'objetivo religioso genuíno' a busca pela Iluminação, o acúmulo de Sabedoria, a manifestação clara e inequívoca de profunda modificação pessoal como fruto da prática do Dharma.
Não se trata de raspar a cabeça, vestir mantos ou aparentar cara de sábio. Se trata de uma reforma completa da pessoa, a adesão firme aos preceitos, uma moralidade e uma ideologia que gravitam em torno do eixo Dharma e anti-Dharma. Obviamente incluo aí o acréscimo de erudição relativa ao Dharma, que possibilita, cada vez mais, uma opção consciente pelo que é do Dharma e uma oposição decidida contra o anti-Dharma.
A grande massa de instituições budistas de hoje não oferece qualquer objetivo religioso genuíno, tratando, apenas, de oferecer cargos, títulos, posições ou rituais para objetivos muito diversos de buscar a Iluminação ou transcender as próprias limitações em busca de transcendência.
Em países como o Japão, a completa ausência de qualquer identificação com o Budismo na vida das pessoas é algo impressionante. Os templos funcionam apenas como locais onde se busca por graças, favores, proteções ou onde se vai para cumprir uma obrigação social. A mensagem religiosa mesmo, a idéia de que a religião influencia no pensamento, na ação e que deve ser mesmo o eixo em torno do qual gravitam preferências, idéias, posicionamentos etc., simplesmente não existe. Em outras palavras, para o japonês o Budismo não existe. Só existe como uma formalidade, como ritos que garantem coisas materiais ou o livram de infortúnios e dissabores. Não como ideologia, não como modus vivendi, não como algo que realmente faça diferença em sua visão de mundo e escala de valores.
O indivíduo faz meditação sentada, recita o nembutsu ou reza para Amaterasu com os mesmos objetivos, ou seja, obter sorte e proteção. Para ele, sacudir o guizo pendurado na porta do santuário xintoísta, fazer uma reverência na frente da igreja de São Paulo Miki e seus companheiros mártires ou acender incenso em um templo budista, jogando umas moedas na caixa de ofertas depois, é a mesma coisa. Tudo isso "dá sorte"...
Para grande parte dos taiwaneses é algo bem parecido. O sujeito tem um bar onde vende carne e bebidas alcoólicas. Ao mesmo tempo, em cima do balcão, há imagens de Avalokitesvara, Amitabha, Maitreya e adesivos com a invocação de Amitabha. Quando ele vai ao templo, veste sua túnica e pede proteção, saúde e prosperidade. Mas, para ele, em seu limitadíssimo arcabouço mental, não há nada de contraditório, de profundamente hipócrita, de quase demoníaco...
Nem os sacerdotes nem os fiéis percebem o esvaziamento porque, para eles, tudo está "normal". Nasceram em um ambiente assim, aprenderam a agir assim, viam seus pais e avós mergulhados na mais profunda ignorância em relação ao Dharma, tudo não passando de um amontoado de idéias confusas e sem relação clara entre si.
No caso dos "budistas" brasileiros, o grande esvaziamento é também ocasião para se utilizar um novo "recheio" exótico. Não sendo conhecedores do Dharma, não buscando estudar os sutras, não se esforçando para realmente compreender a mensagem religiosa e filosófica do Budismo, adotam parte das formas exteriores que lhes são transmitidas pelos asiáticos, inclusive as mais estúpidas superstições, e, onde sentem alguma deficiência ideológica, a preenchem com as mais variadas, antagônicas e descabeladas doutrinas, de acordo com o próprio gosto, não importando o quão anti-Dharma elas possam ser.
Diante desse quadro se explicam os "budistas comunistas", "budistas psicologistas", "budistas abortistas", "budistas feministas", "budistas sexistas", "budistas hippies", "budistas Foucault", "budistas New Age", "budistas teosofistas", "budistas maconheiros", "budistas etílicos", "budistas perenialistas", "budistas kung fu", "budistas ninja", "budistas USP" e assim por diante.
A maioria mistura alguns desses recheios em seu boneco oco de "budismo", preenchendo-o na proporção que acham mais adequada aos próprios pendores.
Essa mistura também se reflete na tosca adaptação das formas exteriores. Com maiores dificuldades que os asiáticos para conservarem as formas cerimoniais e mesmo dos objetos de prática, fazem uma emulação grotesca, mulamba e bizarra das formas que receberam. Se não têm, por exemplo, uma estátua digna de Buda, metem no altar qualquer coisa, uma boneca de brinquedo com um pano enrolado, por exemplo, para lhe fazer as vezes. Se não têm um incensário, usam um penico ou uma escarradeira que estiver à mão.
Isso reflete, exatamente, esse estado de espírito de esvaziamento, de 'tanto faz como tanto fez', de brincar de religião e de substituir aquilo que não se tem com facilidade por algo que esteja ali, ao alcance imediato.
O budista asiático adora um animal empalhado. O brasileiro, um boneco de plástico que imita o animal empalhado.
Eu prefiro continuar com o Leão dos Shakya, bem vivo e saudável, a orientar minha vida.